Volta ao futebol? Guardiola é procurado para assumir seleção
Paolo Maldini e Leonardo se reuniram com o ex-técnico do Manchester City em Barcelona para apresentar o projeto da seleção italiana. Ainda não existe acordo, e a manifestação mais recente do treinador aponta para a continuidade do período sabático.
Pep Guardiola voltou ao centro do mercado pouco mais de um mês depois de encerrar sua passagem de dez temporadas pelo Manchester City. O treinador foi procurado para assumir a seleção da Itália, que tenta reconstruir seu futebol após ficar fora da Copa do Mundo pela terceira edição consecutiva.
O movimento foi conduzido por Paolo Maldini, novo diretor técnico da Federação Italiana de Futebol, e pelo brasileiro Leonardo, contratado como assessor. Segundo as apurações publicadas nesta segunda-feira pelo jornal britânico The Times e pela imprensa italiana, os dois viajaram a Barcelona e mantiveram conversas com Guardiola durante o fim de semana.
O encontro existiu, mas não produziu contratação. A informação mais recente do jornal La Gazzetta dello Sport é que os dirigentes buscaram descobrir se havia espaço para convencê-lo, porém o cenário atual aponta para uma resposta negativa.
O que a Itália ofereceu a Guardiola?
Os detalhes financeiros e a duração de um eventual contrato não foram divulgados. O que se conhece é o conteúdo esportivo da abordagem: Maldini e Leonardo desejam iniciar um ciclo capaz de modernizar o modelo de jogo da seleção e reorganizar a integração entre a equipe principal e as categorias de base.
Guardiola representa a opção mais ambiciosa dessa reconstrução. Seu nome daria autoridade imediata ao projeto, aumentaria a atenção sobre a seleção e sinalizaria uma mudança profunda depois de três fracassos consecutivos nas eliminatórias para a Copa.
A aproximação também tem um componente pessoal. Maldini e Leonardo mantêm boa relação com o espanhol desde os tempos em que os três estavam ligados ao futebol italiano. Guardiola atuou por Brescia e Roma no início dos anos 2000 e conhece o idioma e a cultura esportiva do país.
Isso não elimina os obstáculos. Além de provavelmente exigir um dos maiores salários entre treinadores de seleções, Guardiola precisaria interromper uma pausa que começou por vontade própria — e que ele acabou de reafirmar publicamente.
O estágio correto da história: a Itália sondou Guardiola e apresentou seu projeto em uma reunião presencial. Não há contrato assinado, confirmação de aceite nem anúncio oficial. A tendência publicada na Itália é de que o treinador mantenha a pausa.
Guardiola diz que ainda não sente vontade de voltar
Três dias antes de a reunião se tornar pública, Guardiola explicou por que deixou o comando do Manchester City. Em entrevista à plataforma OKX, o técnico afirmou que, do ponto de vista mental, não sente falta da rotina do futebol e deseja descobrir outras dimensões da vida.
Ele também indicou que uma eventual volta dependerá de uma vontade interna, não apenas do tamanho da proposta. A declaração é o principal motivo para tratar a investida italiana com cautela.
Assumir uma seleção reduziria a rotina diária em comparação com um clube, mas não seria uma função leve. A Itália precisa definir método de jogo, renovar o elenco, recuperar a confiança da torcida e vencer as próximas eliminatórias. O trabalho começaria sob cobrança máxima.
Guardiola continua ligado ao City Football Group como embaixador global e consultor em projetos específicos. Portanto, está afastado da função de treinador, mas não rompeu completamente com o ambiente do futebol.
Por que a Itália está sem técnico?
Gennaro Gattuso deixou o cargo em abril, depois de a seleção ser eliminada pela Bósnia e Herzegovina nos playoffs das eliminatórias. O resultado confirmou a terceira ausência italiana seguida em uma Copa do Mundo, após os fracassos de 2018 e 2022.
A sequência provocou mudanças na estrutura da federação. Giovanni Malagò assumiu a presidência, enquanto Maldini foi anunciado como diretor técnico e presidente do Club Italia em 11 de julho. Leonardo passou a assessorá-lo na reorganização.
A primeira tarefa da dupla é justamente escolher o novo treinador. A contratação precisa resolver duas necessidades que nem sempre apontam para o mesmo nome: produzir resultado nas próximas competições e construir um modelo duradouro até 2030.
Guardiola seria a escolha de maior impacto, mas também a mais difícil. A busca mostra até onde a nova direção está disposta a ir, embora não garanta que o plano principal seja viável.
Quem são os outros candidatos?
Andrea Pirlo, Roberto Mancini e Antonio Conte aparecem entre as alternativas discutidas pela imprensa italiana. Cada nome representa um caminho diferente.
Pirlo tem identificação com a seleção e poderia liderar um projeto de longo prazo, porém carrega menos experiência como treinador. Mancini conquistou a Eurocopa de 2021 com a Azzurra e conhece a estrutura, mas seu retorno exigiria reconstruir relações. Conte oferece experiência, intensidade e resultados imediatos, ao custo de uma negociação igualmente complexa.
A lista não significa que todos receberam proposta formal. Ela reúne os perfis avaliados por dirigentes durante a definição. A própria federação ainda não divulgou oficialmente os finalistas.
Malagò afirmou que a escolha deve ser conhecida em poucos dias. A expectativa é que a cúpula italiana apresente o projeto esportivo aos clubes da Serie A em reunião marcada para 23 de julho.
Guardiola poderia treinar um país que não é o seu?
Sim. Não existe regra que obrigue o treinador de uma seleção a ter a nacionalidade da equipe que comanda. A Itália pode contratar o espanhol normalmente.
O desafio seria adaptar seu método à realidade do futebol de seleções. Em clubes, Guardiola dispõe de treinos diários para aperfeiçoar posicionamento, pressão e saída de bola. Em uma seleção, recebe atletas por poucos dias e precisa simplificar conceitos sem perder identidade.
Esse contraste é justamente o que tornaria o projeto relevante. Guardiola já afirmou no passado que gostaria de disputar uma Copa do Mundo ou um torneio continental como técnico. A dúvida não é se a função o interessa em algum momento da carreira, mas se a vontade surgiu agora.
O que falta para a contratação acontecer?
Primeiro, Guardiola teria de decidir interromper o período sabático. Depois, federação e treinador precisariam concordar sobre salário, duração do ciclo, autonomia, comissão técnica e participação na reorganização das categorias nacionais.
Também seria necessário alinhar o projeto à estrutura financeira da federação e ao calendário. A seleção italiana não pode esperar indefinidamente, enquanto o treinador afirmou não ter pressa para voltar.
Por isso, a leitura mais segura neste momento é dupla: o interesse italiano é concreto e chegou a uma conversa presencial; a contratação, porém, continua improvável sem uma mudança de posição de Guardiola.
Se ele disser “sim”, será sua primeira experiência no comando de uma seleção e a missão mais simbólica da reconstrução italiana. Se mantiver o “não”, a reunião terá servido para confirmar o limite do projeto antes de Maldini e Leonardo avançarem por outro candidato.
Fontes consultadas
As conversas em Barcelona, a duração do encontro e a busca italiana foram verificadas na apuração do The Times. A indicação de que o retorno é difícil no momento e a lista de alternativas foram comparadas com a cobertura da La Gazzetta dello Sport. Os cargos de Maldini e Leonardo constam do comunicado oficial da Federação Italiana. A saída de Guardiola, seus 20 títulos e a nova função foram confirmados pelo Manchester City. A manifestação sobre o período sabático foi conferida na publicação da Fox Sports.

