Por que Bangladesh e Líbano torcem tanto pela seleção brasileira na Copa
Multidões vestidas de verde e amarelo em Bangladesh e no Líbano mostram como a seleção brasileira mantém uma torcida internacional formada por história, migração, ídolos e identificação cultural.
A seleção brasileira voltou a mobilizar torcedores muito além do Brasil durante a Copa do Mundo de 2026. Em Bangladesh, no sul da Ásia, e no Líbano, no Oriente Médio, jogos da equipe foram acompanhados por grandes concentrações de pessoas com camisas amarelas, bandeiras do Brasil, telões, buzinaços e celebrações nas ruas.
O fenômeno não é novo, mas ganhou mais visibilidade durante o Mundial. Em Bangladesh, a relação com a seleção brasileira atravessa gerações e combina admiração por ídolos, tradição familiar e a busca por uma potência estrangeira para apoiar em Copas, já que a seleção local não tem presença relevante no cenário internacional.
Em Bangladesh, Brasil virou paixão de massa
O embaixador do Brasil em Daca, Paulo Feres, estima que entre 80 milhões e 100 milhões de bengalis torçam pela seleção brasileira. O número representa mais da metade da população do país, que está entre os mais populosos do mundo.
A força dessa torcida aparece principalmente durante a Copa. Torcedores se reúnem em espaços abertos, acompanham partidas em telões e organizam eventos com recursos próprios. Parte dessas mobilizações é financiada por contribuições de estudantes, trabalhadores e grupos locais que se juntam para montar estruturas de exibição dos jogos.
A estimativa citada pelo embaixador brasileiro em Daca aponta que até 100 milhões de pessoas em Bangladesh podem torcer pelo Brasil. A seleção brasileira, portanto, tem no país asiático uma das maiores bases de apoio fora do território brasileiro.
Pelé, Neymar e a memória da Copa
A ligação de Bangladesh com o futebol brasileiro tem raízes antigas. Pelé ajudou a formar a primeira grande imagem internacional da seleção no país, especialmente após o tricampeonato mundial de 1970. Décadas depois, Neymar se tornou referência para uma nova geração de torcedores bengalis.
A independência de Bangladesh, em 1971, ocorreu pouco depois da conquista brasileira no México. O líder da independência, Mujibur Rahman, é lembrado como admirador de Pelé. A admiração pelo jogador e pela seleção ajudou a consolidar, ao longo do tempo, uma relação afetiva entre o país asiático e o futebol brasileiro.
País do críquete abraçou o futebol brasileiro
Bangladesh tem o críquete como esporte mais popular, mas a Copa do Mundo provoca uma mobilização diferente. Durante o torneio, ruas, casas, prédios e espaços públicos passam a receber bandeiras e cores ligadas às seleções estrangeiras mais admiradas, principalmente Brasil e Argentina.
A seleção brasileira ganhou espaço nesse ambiente por causa do estilo associado ao futebol de ataque, da história de títulos mundiais e da presença de jogadores que marcaram diferentes épocas. Essa preferência é transmitida em famílias, grupos de amigos e comunidades que acompanham a Copa como um evento coletivo.
No Líbano, a relação passa pela imigração
No Líbano, a torcida pelo Brasil tem uma explicação diretamente ligada à história migratória. O Brasil abriga uma das maiores comunidades de origem libanesa do mundo, estimada entre 7 milhões e 10 milhões de pessoas. Essa presença criou laços familiares, culturais e simbólicos entre os dois países.
Durante jogos da seleção brasileira na Copa de 2026, registros feitos em cidades como Trípoli e Zgharta mostraram torcedores libaneses reunidos em cafés, praças e ruas decoradas com bandeiras do Brasil. Crianças com camisas amarelas, famílias inteiras e grupos com tambores acompanharam partidas como se estivessem torcendo pela própria seleção nacional.
Brasil também é identidade cultural no Líbano
A presença brasileira no imaginário libanês não se limita ao futebol. A imigração libanesa para o Brasil, construída ao longo de mais de um século, formou vínculos familiares que permanecem vivos entre descendentes, comunidades e instituições culturais.
O futebol reforçou essa ligação. O sucesso da seleção brasileira nas Copas, especialmente a partir dos anos 1990, ampliou a identificação de parte dos torcedores libaneses com o Brasil. Em algumas cidades, jogos da seleção passaram a ser acompanhados com estruturas comunitárias, telões e celebrações públicas.
Uma torcida que aparece de quatro em quatro anos
Em Bangladesh e no Líbano, a paixão pelo Brasil ganha força principalmente durante a Copa do Mundo. Fora do torneio, essa relação fica menos visível, mas volta a ocupar ruas e redes de convivência quando a seleção brasileira entra em campo.
O fenômeno também mostra como o futebol brasileiro funciona como símbolo internacional. Mesmo em países sem ligação geográfica direta com o Brasil, a camisa amarela passou a representar tradição, talento, memória esportiva e pertencimento para torcedores que acompanham a seleção há décadas.
A torcida por Brasil em Bangladesh e no Líbano combina história, migração, ídolos e Copa do Mundo. O resultado é uma base internacional de apoio que transforma jogos da seleção brasileira em eventos populares fora do próprio país.

