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Presidente da Argentina revela motivo inusitado para faltar à final da Copa do Mundo

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Javier Milei rejeitou a viagem a Nova Jersey para repetir o ritual das sete vitórias argentinas: assistir ao jogo na residência oficial de Olivos e usar a mesma jaqueta da YPF.

Por Redação Ponto de Vista BR — Atualizado em 17 de julho de 2026

O presidente da Argentina, Javier Milei, decidiu não comparecer à final da Copa do Mundo de 2026 contra a Espanha. O motivo não envolve agenda diplomática, segurança ou custo da viagem: o argentino afirmou que permanecerá em Buenos Aires por superstição.

Milei acompanhou da residência presidencial de Olivos as sete partidas vencidas pela seleção durante o torneio. Agora, acredita que mudar de lugar justamente na decisão poderia quebrar a sequência. Por isso, recusou a possibilidade de ir ao estádio de Nova York e Nova Jersey, em East Rutherford, nos Estados Unidos.

Em entrevista à Rádio El Observador, o presidente confirmou que repetirá o hábito adotado desde a estreia. “Vou continuar assistindo aos jogos de Olivos”, declarou. Na Argentina, esse tipo de ritual é conhecido como “cábala”: uma ação repetida porque o torcedor a associa a um resultado positivo.

A decisão chama atenção porque a final reunirá autoridades internacionais. O presidente norte-americano, Donald Trump, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, o rei Felipe VI e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, estão entre os nomes esperados no evento. Milei, aliado político de Trump, preferirá acompanhar tudo pela televisão.

19 de julho
Data da decisãoArgentina e Espanha entram em campo no domingo.
16 horas
Horário de BrasíliaA partida será realizada no período da tarde para o público brasileiro.
7 vitórias
Sequência argentinaMilei assistiu a todos os jogos da seleção na residência de Olivos.
4º título?
Meta da ArgentinaA atual campeã tenta acrescentar uma nova estrela às conquistas de 1978, 1986 e 2022.

Uma jaqueta virou o segundo amuleto

Ficar em Olivos é apenas uma parte do ritual presidencial. Milei também pretende usar uma jaqueta da YPF, empresa petrolífera controlada pelo Estado argentino, durante a final.

A relação entre a peça de roupa e os resultados começou no jogo contra a Suíça. O presidente contou que sentiu calor e retirou a jaqueta. Pouco depois, a seleção adversária marcou um gol. Milei vestiu a peça novamente e decidiu não tirá-la durante o restante daquela partida.

Desde então, a roupa passou a fazer parte da rotina. Não existe, evidentemente, relação esportiva entre a jaqueta, o local escolhido pelo presidente e o desempenho dos atletas. A “cábala” funciona como um acordo emocional do torcedor consigo mesmo: se tudo deu certo de determinada maneira, nada deve ser alterado.

As duas cábalas de Milei: acompanhar a seleção dentro da residência presidencial de Olivos e vestir a jaqueta da YPF que estava usando durante a campanha argentina.

Por que a superstição é chamada de “cábala”

No vocabulário cotidiano do futebol argentino, “cábala” é o nome dado a um costume que o torcedor acredita trazer sorte ou impedir o azar. Pode ser assistir ao jogo no mesmo lugar, vestir uma camisa específica, sentar-se ao lado das mesmas pessoas ou repetir uma refeição.

O hábito não é exclusivo da Argentina, mas ocupa espaço especial na cultura esportiva do país. Jogadores, treinadores e torcedores frequentemente preservam rotinas durante uma campanha vitoriosa. A crença costuma ganhar força em competições curtas, nas quais uma derrota elimina a equipe.

As cábalas também ajudam a lidar com a falta de controle. Um torcedor não participa da escalação, não executa os pênaltis e não interfere nas decisões do árbitro. Repetir um ritual cria a sensação de participação e reduz a ansiedade antes de um confronto decisivo.

Para Milei, a lógica é direta: a Argentina venceu enquanto ele estava em Olivos; portanto, assistirá à final no mesmo lugar. O presidente não afirmou que sua presença mudaria tecnicamente o resultado. Apresentou a decisão com o tom bem-humorado típico das superstições futebolísticas.

A final que o presidente verá pela televisão

Argentina e Espanha decidem o título no New York New Jersey Stadium, nome adotado pela Fifa para o estádio localizado em East Rutherford. A bola rola às 16 horas de domingo, pelo horário de Brasília.

A seleção argentina chegou à segunda final consecutiva depois de vencer a Inglaterra por 2 a 1 na semifinal disputada em Atlanta. A Espanha garantiu sua vaga com uma vitória por 2 a 0 sobre a França.

O confronto também reúne as duas campeãs continentais do ciclo anterior: Argentina, vencedora da Copa América de 2024, e Espanha, campeã da Eurocopa do mesmo ano. Uma Finalíssima entre as equipes chegou a ser planejada para março de 2026, mas acabou cancelada diante do cenário de segurança no Oriente Médio.

Agora, as seleções se encontram no palco mais importante. A Argentina busca o bicampeonato consecutivo e a quarta taça de sua história. A Espanha tenta conquistar seu segundo Mundial, depois do título de 2010.

Torcedores fazem o caminho oposto ao de Milei

Enquanto o presidente decidiu não viajar, milhares de argentinos tentam chegar aos Estados Unidos a qualquer custo. A Aerolíneas Argentinas colocou à venda dois voos especiais entre Buenos Aires e Nova York. Os 540 assentos se esgotaram em poucas horas.

De acordo com a Reuters, as passagens foram oferecidas por cerca de US$ 5 mil na classe econômica e US$ 10 mil na executiva, valores muito superiores às tarifas comuns. Os voos regulares para Nova York e Miami também ficaram lotados.

A empresa de viagens Despegar registrou aumento de 6.000% nas buscas por passagens para Nova York depois da classificação argentina. A movimentação mostra o contraste: os torcedores enfrentam preços elevados e conexões longas, enquanto Milei dispõe de estrutura oficial para viajar, mas prefere preservar o ritual.

A decisão presidencial também evita transformar sua presença em assunto paralelo à preparação da equipe. Milei acompanhará o jogo como milhões de argentinos: distante do estádio, concentrado na televisão e convencido de que qualquer mudança na rotina pode ser arriscada.

Uma superstição com antecedente político

A associação entre presidentes e o suposto azar da seleção não começou com Milei. Durante a Copa de 1990, Carlos Menem esteve na partida de abertura em que a Argentina perdeu por 1 a 0 para Camarões. A surpresa alimentou durante anos a brincadeira de que a presença presidencial não combinava com os jogos da equipe.

Aquela seleção se recuperou e chegou à final, perdida para a Alemanha Ocidental. Não existe qualquer relação causal entre a presença de uma autoridade e o placar, mas histórias assim permanecem no imaginário dos torcedores e são relembradas sempre que um dirigente decide comparecer ou ficar em casa.

Milei construiu sua própria versão dessa tradição. Em vez de justificar a ausência com compromissos de governo, assumiu que não pretende desafiar a sequência. Olivos e a jaqueta da YPF continuarão no roteiro até o último apito.

Quem estará na tribuna de autoridades

A ausência do presidente argentino será ainda mais visível diante da lista de convidados. Donald Trump confirmou presença na final disputada em território norte-americano. Gianni Infantino deverá representar a Fifa na entrega do troféu.

Do lado espanhol, o primeiro-ministro Pedro Sánchez e o rei Felipe VI estarão no estádio. A presença da família real reforça o caráter diplomático e institucional do evento, além de oferecer apoio público à seleção.

Milei poderia usar a ocasião para encontrar Trump e outras autoridades, mas colocou a superstição futebolística acima do simbolismo da tribuna. Caso a Argentina seja campeã, sua escolha será celebrada como parte da história da campanha. Se perder, a jaqueta e a televisão de Olivos continuarão sendo apenas o que sempre foram: objetos e lugares sem influência sobre o jogo.

A resposta real será dada pelos jogadores no gramado. A do presidente já está definida: no domingo, não haverá voo oficial para Nova Jersey. Haverá a repetição de um ritual iniciado na primeira partida e preservado até a final.

Fontes consultadas

A declaração de Javier Milei sobre a residência de Olivos e a jaqueta da YPF foi publicada pelo Terra e conferida na cobertura de Associated Press e Veja. As informações sobre a classificação das seleções, o local da final, os voos especiais e o aumento das buscas por passagens foram divulgadas pela Reuters.

Redação

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