PF monta operação de R$ 95 milhões com blindados e sistema antidrone para proteger candidatos em 2026
Estrutura nacional poderá proteger simultaneamente até dez candidaturas à Presidência e terá veículos blindados, reconhecimento facial, defesa contra drones e equipes de inteligência atuando nos 26 estados e no Distrito Federal.
A Polícia Federal anunciou nesta sexta-feira (17) uma operação nacional para proteger candidatos à Presidência da República durante as eleições de 2026. O planejamento prevê orçamento aproximado de R$ 95 milhões, mobilização de até 458 servidores e capacidade para atender dez candidaturas ao mesmo tempo.
A proteção poderá começar em 20 de julho, depois que cada candidatura for homologada em convenção partidária e a campanha apresentar o pedido formal. A adesão não é obrigatória: o candidato pode recusar o serviço e solicitá-lo posteriormente se considerar necessário.
A estrutura chama atenção pelo uso de veículos blindados, equipamentos antidrone, reconhecimento facial, monitoramento de ameaças digitais e kits de vistoria antibombas. Apesar do aparato, a PF afirma que o tamanho de cada equipe será definido individualmente, conforme os riscos encontrados em cada agenda.
Como a segurança será definida para cada candidato
Não haverá uma formação única aplicada igualmente a todas as campanhas. A PF informou que cada candidatura terá um plano próprio, elaborado a partir de análise técnica de risco. Serão considerados o histórico de ameaças, as informações produzidas pela inteligência, os locais dos compromissos, as rotas de deslocamento, os acessos aos eventos e o contexto de segurança da região.
Antes de uma agenda, equipes precursoras poderão visitar o local, mapear entradas e saídas e combinar a operação com polícias estaduais, guardas municipais e demais órgãos responsáveis pela segurança pública. Em eventos com grande concentração de pessoas, o efetivo poderá ser ampliado.
O tratamento deverá ser isonômico, mas isso não significa que todas as candidaturas receberão o mesmo número de agentes ou equipamentos. Uma agenda aberta em praça pública, por exemplo, possui riscos diferentes de uma reunião fechada. A quantidade de policiais será proporcional à ameaça identificada e poderá mudar durante a campanha.
Blindados, antidrone e vigilância digital
Os meios disponíveis incluem viaturas blindadas, grupos táticos, coletes balísticos de alto desempenho, equipamentos de defesa antidrone, reconhecimento facial e vistorias antibombas. A PF também prevê o monitoramento de ameaças digitais, uma etapa que ganhou importância com a expansão de mensagens intimidatórias, exposição de rotas e convocação de ataques pela internet.
O sistema antidrone não significa que toda aeronave não tripulada será derrubada. Esses equipamentos podem identificar, rastrear ou neutralizar aparelhos que entrem em áreas restritas, conforme a situação e as regras operacionais. A utilização dependerá da análise de risco de cada compromisso.
As informações mais sensíveis não serão divulgadas. A classificação de risco atribuída a cada candidato, os itinerários, a composição das equipes e os detalhes dos deslocamentos permanecerão compartimentados. Segundo a corporação, limitar o acesso a esses dados é parte do próprio protocolo de proteção.
O que o público poderá perceber: reconhecimento antecipado dos locais, isolamento de determinadas áreas, inspeção de objetos, controle de acesso e presença de agentes próximos ao candidato. Parte significativa da operação, porém, ocorrerá nos bastidores, com análise de inteligência e acompanhamento digital.
Central acompanhará as equipes em tempo real
A partir de 20 de julho, uma Sala Nacional de Comando e Controle será ativada em Brasília. A central acompanhará quais agendas estão em andamento, a localização das equipes e ocorrências que exijam reforço ou mudança no planejamento.
O comando nacional permitirá organizar deslocamentos simultâneos em diferentes estados e prestar apoio rápido aos servidores em campo. A PF ressalta, contudo, que a centralização será operacional. Dados específicos de inteligência continuarão restritos aos profissionais diretamente envolvidos em cada missão.
Candidato poderá rejeitar a proteção
A segurança fornecida pela Polícia Federal é uma prerrogativa da candidatura, e não uma imposição. Caso uma campanha prefira organizar a própria estrutura e não utilizar o serviço naquele momento, a decisão será respeitada. O canal permanecerá aberto para uma adesão posterior.
Desde abril, a PF mantém contato com partidos e pré-candidatos. Os 30 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral foram comunicados oficialmente, e reuniões específicas foram realizadas com grupos que solicitaram esclarecimentos.
Se o presidente da República disputar a reeleição, sua proteção seguirá o modelo híbrido já utilizado, com atuação conjunta do Gabinete de Segurança Institucional e da Polícia Federal. Os demais candidatos serão acompanhados dentro da estrutura coordenada pela Diretoria de Proteção à Pessoa.
Por que a operação custa R$ 95 milhões
O orçamento não corresponde apenas ao pagamento de agentes próximos aos candidatos. Ele inclui viagens e deslocamentos nacionais, serviços de apoio, logística, veículos blindados, coletes, sistemas de defesa antidrone e equipamentos para inspeções antibombas.
Mais de 600 profissionais passaram por formação ou aperfeiçoamento desde 2025. Os treinamentos incluíram direção veicular, primeiros socorros, salvamento aquático, operação de drones, inteligência, logística e técnicas específicas de proteção à pessoa.
A atuação da PF na segurança de candidatos à Presidência possui previsão na Constituição, na Lei nº 7.474/1986, no Decreto nº 6.381/2008 e na Portaria nº 493/1998 do Ministério da Justiça. A operação começa depois da homologação das candidaturas e da solicitação das campanhas.
Proteção não deve impedir contato com eleitores
Um dos desafios será conciliar segurança e campanha de rua. Candidatos precisam circular, discursar e manter contato com eleitores, enquanto as equipes devem reduzir a exposição a ameaças sem transformar todos os atos em ambientes fechados.
A PF afirma que pretende atuar com discrição e interferir o mínimo possível na dinâmica dos eventos. Na prática, o equilíbrio será revisto agenda por agenda. Uma ameaça nova, uma mudança de local ou o aumento inesperado do público poderá alterar o efetivo e os recursos empregados.
A operação anunciada nesta sexta-feira representa a preparação mais visível para essa fase da eleição. O resultado dependerá de coordenação entre a estrutura federal, as forças locais e as campanhas — além da capacidade de identificar ameaças antes que elas se transformem em risco concreto.
Fontes consultadas
As informações, os números e a descrição dos protocolos foram verificados no comunicado da Polícia Federal publicado em 17 de julho de 2026. A corporação informa que detalhes individuais de risco, itinerários e composição das equipes não serão divulgados por razões de segurança.

