Ator que interpreta Bolsonaro deixa o Brasil antes do fim das gravações e produção recorre a dublês em filme polêmico
Produção internacional sobre Jair Bolsonaro enfrenta bastidores turbulentos, denúncias e clima de tensão durante filmagens no Brasil
O ator norte-americano Jim Caviezel, escolhido para interpretar o ex-presidente Jair Bolsonaro no longa “Dark Horse”, deixou o Brasil antes da conclusão oficial das gravações após preocupações relacionadas à segurança. Parte das cenas finais precisou ser concluída com o uso de dublês e ajustes técnicos comuns em grandes produções cinematográficas.
Segundo relatos divulgados pela imprensa nacional, a decisão foi tomada pela equipe de segurança do ator após episódios de tensão nos bastidores e aumento das preocupações envolvendo o ambiente político e social brasileiro.
O filme “Dark Horse” tenta retratar a ascensão política de Bolsonaro durante as eleições presidenciais de 2018, incluindo momentos marcantes como a campanha eleitoral, o atentado sofrido em Juiz de Fora e sua chegada ao Palácio do Planalto. O longa é dirigido por Cyrus Nowrasteh e conta com roteiro do ex-secretário de Cultura Mário Frias.
Nos bastidores, porém, a produção passou a acumular denúncias envolvendo condições de trabalho, atrasos em pagamentos, conflitos ideológicos e até investigações relacionadas ao financiamento do projeto. Reportagens recentes apontam que órgãos reguladores brasileiros apuram possíveis irregularidades nas filmagens realizadas no país.
Medidas extremas de segurança
De acordo com informações divulgadas por veículos brasileiros, Jim Caviezel teria solicitado protocolos rígidos de segurança durante as gravações. Entre as medidas adotadas estavam:
- revistas frequentes no set;
- proibição do uso de celulares;
- isolamento do ator em trailer protegido;
- presença constante de seguranças particulares;
- elaboração de um plano de evacuação do Brasil.
A tensão teria aumentado após operações policiais violentas no Rio de Janeiro e diante do forte clima de polarização política envolvendo o ex-presidente brasileiro.
Cena da facada gerou preocupação
Um dos momentos mais delicados da produção aconteceu durante a gravação da cena que reproduz o atentado sofrido por Bolsonaro em 2018. Segundo os relatos publicados, Caviezel demonstrou receio de sofrer algum tipo de ataque real durante as filmagens, o que levou a equipe a reforçar ainda mais os protocolos de segurança no local.
Mesmo deixando o país antes da conclusão oficial das gravações, a produtora afirmou que o cronograma foi mantido e que o uso de dublês faz parte dos recursos técnicos tradicionais da indústria cinematográfica.
Denúncias contra a produção
Além das questões de segurança, trabalhadores envolvidos na produção relataram condições consideradas precárias. Entre as denúncias divulgadas estão:
- alimentação estragada;
- restrições excessivas durante as gravações;
- apreensão de celulares;
- atrasos salariais;
- supostos episódios de agressão envolvendo seguranças.
Sindicatos ligados ao setor audiovisual afirmam que parte dessas denúncias já foi encaminhada para órgãos trabalhistas e autoridades responsáveis pela fiscalização do cinema no Brasil.
Filme ainda não tem estreia confirmada
Inicialmente previsto para estrear em 2026, “Dark Horse” ainda busca distribuição internacional e segue envolvido em debates políticos e jurídicos. O projeto ganhou repercussão por apresentar uma visão considerada favorável ao ex-presidente e por ter ligação com nomes próximos ao bolsonarismo.
Apesar das polêmicas, a produção continua sendo tratada como uma das obras políticas mais controversas já realizadas sobre um ex-presidente brasileiro.

