Tragédia em MG: mulher é presa após matar marido com demência a facadas depois de dias sem dormir
Uma mulher de 55 anos foi presa em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, após matar o marido, de 58 anos, a facadas. A vítima era acamada, tinha sequelas de AVC e quadro de demência, segundo informações atribuídas à Polícia Militar de Minas Gerais.
Uma mulher de 55 anos foi presa em flagrante na manhã de segunda-feira (6), em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), suspeita de matar o próprio marido, de 58 anos, dentro de casa.
O crime ocorreu na Vila Michel, na região do bairro Mangueiras. A vítima era acamada, tinha sequelas de acidentes vasculares cerebrais e apresentava quadro de demência, conforme relato da Polícia Militar divulgado por veículos que acompanharam a ocorrência.
A mulher foi encontrada dentro da residência após uma sobrinha do casal chegar ao local para ajudar nos cuidados com o homem. Segundo o registro da ocorrência, a suspeita estava chorando, sentada no chão, ao lado da cama, com sinais de sangue e uma faca próxima.
Sobrinha encontrou a cena dentro da casa
De acordo com as informações divulgadas, a sobrinha foi até a casa pela manhã para auxiliar nos cuidados com o tio. Ao entrar no imóvel, encontrou a mulher sentada ao lado da cama.
Quando perguntou o que havia acontecido, a suspeita teria respondido que havia matado o marido. Ao verificar a situação, a familiar percebeu sangue na região do tórax da vítima e ausência de sinais vitais.
A Polícia Militar foi acionada e, ao chegar ao imóvel, constatou que o homem já estava morto. O corpo apresentava rigidez, o que indica que a morte pode ter ocorrido durante a madrugada.
Mulher relatou estar há dias sem dormir
À polícia, a suspeita afirmou que estava emocionalmente abalada e que não dormia havia cerca de três dias. Ela relatou que cuidava do marido diariamente e que a rotina havia se tornado cada vez mais desgastante.
Segundo o relato registrado na ocorrência, o homem teria passado a apresentar episódios de irritação depois do AVC e do quadro de demência. A mulher disse aos militares que ele relembrava fatos antigos do relacionamento e fazia ofensas frequentes.
A suspeita também relatou que, na madrugada do crime, o marido começou a chutar a grade de proteção da cama. Ela afirmou que foi ao quarto mais de uma vez para tentar contê-lo e recolocá-lo em posição segura.
Suspeita alegou surto e disse não lembrar do crime
Em entrevista à Itatiaia, um sargento da Polícia Militar informou que a mulher alegou ter tido um surto durante a madrugada.
Ainda segundo o relato do militar, a suspeita disse que não sabia explicar exatamente como o crime aconteceu e afirmou lembrar apenas do momento em que estava com a faca na mão após atingir o marido.
A mulher foi presa em flagrante e encaminhada para as providências legais. O caso deve ser investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais.
Casal estava junto havia 37 anos
De acordo com as informações divulgadas pela polícia, o casal estava junto havia 37 anos. A rotina familiar teria mudado depois que o homem sofreu AVC e passou a depender de cuidados permanentes.
O homem também apresentava quadro de demência, condição que pode provocar alterações cognitivas, mudanças de comportamento, confusão, irritabilidade e dificuldade de sono em alguns pacientes.
A investigação deverá apurar a dinâmica do crime, os relatos da suspeita, as condições da vítima e todos os elementos encontrados dentro da residência.
Vítima era acamada e precisava de assistência
Segundo a Polícia Militar, a vítima tinha sequelas de AVCs e permanecia acamada. Por causa do quadro de saúde, precisava de cuidados constantes dentro de casa.
A sobrinha do casal costumava ajudar na rotina de assistência. Foi justamente durante uma dessas visitas que ela encontrou a vítima morta e acionou a polícia.
As informações iniciais apontam que não havia registro anterior de violência doméstica entre o casal, conforme relatos divulgados pela imprensa local.
Demência pode afetar sono e comportamento
Quadros de demência podem causar alterações importantes na rotina da pessoa diagnosticada e de seus cuidadores. Distúrbios do sono, agitação, irritabilidade e confusão podem aparecer em diferentes fases da doença.
Essas alterações não explicam nem justificam violência, mas ajudam a contextualizar a sobrecarga enfrentada por familiares que prestam cuidado em tempo integral sem apoio adequado.
Especialistas em saúde alertam que cuidadores também precisam de acompanhamento, descanso, rede de apoio e orientação profissional, principalmente quando há episódios de agressividade, insônia ou confusão noturna.
Crime será investigado pela Polícia Civil
Após a prisão em flagrante, a mulher deve responder inicialmente pelo crime de homicídio. A Polícia Civil ficará responsável por conduzir o inquérito e reunir provas sobre o que aconteceu na madrugada.
A perícia deve avaliar o local do crime, a arma usada, os ferimentos da vítima e outros elementos que possam confirmar a dinâmica relatada à Polícia Militar.
Também caberá à investigação apurar se havia histórico de conflitos, qual era a real condição de saúde do homem e se a suspeita tinha acompanhamento médico ou psicológico.
Prisão não significa condenação
A prisão em flagrante indica que a mulher foi detida logo após o crime ou em circunstâncias que ligam diretamente a suspeita ao homicídio. Ainda assim, a responsabilidade penal será definida ao longo do processo judicial.
A defesa poderá apresentar sua versão, pedir avaliação médica, contestar pontos da ocorrência e solicitar medidas previstas em lei.
Até uma decisão definitiva da Justiça, a suspeita responde ao caso conforme as etapas do processo criminal.
Caso expõe drama de cuidado familiar extremo
Além da investigação criminal, o caso expõe uma situação comum em muitas famílias brasileiras: a sobrecarga de cuidadores que acompanham pessoas acamadas, com demência ou com sequelas graves de saúde.
O cuidado contínuo pode envolver noites sem dormir, medicação, alimentação, higiene, contenção de quedas, crises de agitação e acompanhamento permanente.
Mesmo diante desse contexto, autoridades tratam a morte como crime. A alegação de exaustão será analisada dentro do inquérito e, posteriormente, pela Justiça.
O que se sabe até agora
A ocorrência foi registrada em Sabará, na Grande Belo Horizonte. A vítima tinha 58 anos, era acamada e apresentava sequelas de AVC e demência.
A suspeita tem 55 anos, era companheira da vítima havia 37 anos e foi presa após ser encontrada na casa onde o marido morreu.
Segundo relatos atribuídos à Polícia Militar, ela afirmou estar há dias sem dormir e disse não se lembrar com clareza do momento do crime.

