Soraya rebate Paulo Figueiredo sobre voto feminino: “defeca pela boca”
Senadora do PSB-MS pediu providências à Procuradoria-Geral da República depois de declaração de Paulo Figueiredo sobre mulheres e voto.
A senadora Soraya Thronicke, do PSB de Mato Grosso do Sul, anunciou que acionou a Procuradoria-Geral da República contra Paulo Figueiredo após declarações dele sobre o voto feminino.
A manifestação da parlamentar ocorreu depois que Figueiredo publicou e reiterou, nas redes sociais, uma fala em que afirmou que mulheres “votam estatisticamente muito mal”, principalmente mulheres solteiras.
A declaração foi feita durante uma transmissão no YouTube, em meio às discussões sobre a crise política envolvendo Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro.
Soraya afirmou que a fala ultrapassa o campo da opinião política e atinge mulheres como grupo. A senadora também informou que pediu a abertura de ação penal contra Figueiredo.
Declaração ocorreu após crise entre Michelle e Flávio
Paulo Figueiredo fez a declaração ao comentar vídeos publicados por Michelle Bolsonaro sobre divergências políticas com Flávio Bolsonaro.
Michelle afirmou ter sido desrespeitada e maltratada pelo enteado em discussões sobre articulações eleitorais no Ceará.
Ao tratar do impacto político da crise, Figueiredo disse que o eleitorado feminino seria um ponto de dificuldade para Flávio Bolsonaro.
Na mesma fala, ele afirmou que mulheres casadas tenderiam a acompanhar o voto do marido, enquanto mulheres solteiras votariam de forma diferente.
Soraya pediu providências à PGR
Soraya Thronicke afirmou que oficializou pedido ao Ministério Público Federal e à Procuradoria-Geral da República.
Segundo a parlamentar, a manifestação de Figueiredo configura violência política de gênero.
A senadora também pediu que o influenciador seja impedido de se comunicar publicamente por meio de redes sociais e outros canais de comunicação.
Em publicação nas redes, Soraya escreveu que, “se mexeu com uma, mexeu com todas”, ao defender que a discussão não fosse tratada como um episódio individual.
Senadora fez críticas diretas a Figueiredo
Na reação pública, Soraya usou a expressão “defeca pela boca” ao se referir à fala de Paulo Figueiredo.
A parlamentar também chamou Figueiredo de “traidor da pátria”, “foragido da Justiça brasileira” e “covarde”.
As declarações foram feitas em publicação nas redes sociais, na qual a senadora informou o envio do caso à PGR.
Figueiredo vive nos Estados Unidos e tem atuação política nas redes sociais, especialmente em temas ligados ao bolsonarismo e às eleições de 2026.
Lei trata de violência política contra mulheres
O Brasil tem legislação específica sobre violência política contra a mulher desde 2021.
A Lei 14.192 estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra mulheres nos espaços de participação política e no exercício de mandatos.
A legislação também alterou normas eleitorais para tratar de condutas que busquem impedir, dificultar ou restringir direitos políticos de mulheres.
No caso envolvendo Figueiredo, Soraya afirmou que a declaração não atinge apenas Michelle Bolsonaro, mas mulheres de forma coletiva.
Quem é Soraya Thronicke
Soraya Thronicke é senadora por Mato Grosso do Sul e integra o PSB.
De acordo com o Senado Federal, o mandato atual da parlamentar vai de 2019 a 2027.
Ela é natural de Dourados, em Mato Grosso do Sul, e atua no Senado em comissões como a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e a Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher.
Caso ocorre em meio à disputa eleitoral de 2026
A fala de Paulo Figueiredo ocorreu em um momento de movimentação política para as eleições de 2026.
Flávio Bolsonaro é tratado dentro do PL como nome para a disputa presidencial, enquanto Michelle Bolsonaro preside o PL Mulher e tem atuação pública voltada ao eleitorado feminino.
A crise entre Michelle e Flávio ganhou repercussão depois que a ex-primeira-dama publicou vídeos relatando divergências internas no partido.
A reação de Soraya colocou o caso no campo jurídico, com pedido formal de análise pela Procuradoria-Geral da República.
Pedido ainda depende de análise
O acionamento da PGR não significa abertura automática de ação penal.
Cabe ao Ministério Público avaliar o conteúdo da representação, analisar os elementos apresentados e decidir se adotará providências no caso.
Até a publicação das informações sobre a reação de Soraya, não havia decisão judicial informada sobre o pedido da senadora.
O episódio segue no debate público após a declaração de Paulo Figueiredo e a resposta da parlamentar.

