Médica acusada de mandar matar farmacêutica em MG vai a júri popular; Justiça mantém decisão
A Justiça de Uberlândia manteve a decisão que leva a médica Cláudia Soares Alves e o corréu Paulo Roberto Gomes da Silva a júri popular pelo assassinato da farmacêutica Renata Bocatto Derani. A acusação sustenta que o crime foi planejado em 2020 e teria como motivação a intenção de assumir o lugar da vítima na criação da filha.
A decisão foi proferida pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia, em Minas Gerais. O juiz entendeu que há indícios suficientes de autoria e materialidade para que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida.
A médica responderá por homicídio qualificado por motivo torpe. Já o outro réu, apontado como executor dos disparos, responderá por homicídio duplamente qualificado, incluindo a acusação de ter cometido o crime mediante promessa de recompensa financeira e utilizando recurso que dificultou a defesa da vítima.
Defesas tentaram impedir o júri
As defesas dos dois acusados recorreram para tentar anular a decisão de pronúncia, etapa processual que encaminha o caso ao Tribunal do Júri. O pedido, entretanto, foi rejeitado.
Na decisão, o magistrado afirmou que, nesta fase do processo, a legislação exige apenas a demonstração da materialidade do crime e a existência de indícios suficientes de autoria, deixando para os jurados a análise definitiva sobre culpa ou inocência.
Até o momento, a Justiça ainda não definiu a data em que o julgamento será realizado.
A decisão não representa condenação. O Tribunal do Júri será responsável por analisar as provas apresentadas durante o processo e decidir se os réus devem ou não ser condenados pelos crimes atribuídos pelo Ministério Público.
Crime ocorreu em 2020
Segundo a investigação, Renata Bocatto Derani foi morta na manhã de 7 de novembro de 2020, quando chegava ao trabalho em Uberlândia. Conforme os autos, um homem aproximou-se da farmacêutica, entregou um envelope e, logo em seguida, efetuou os disparos que causaram sua morte.
Durante as investigações, a Polícia Civil concluiu que a médica teria planejado o homicídio. A motivação apontada foi uma suposta obsessão pela filha da vítima, após um breve relacionamento mantido com o ex-marido da farmacêutica.
De acordo com a apuração policial, a acusada desejava assumir a maternidade da criança, hipótese que fundamenta a denúncia apresentada pelo Ministério Público.
Rapto de recém-nascida deu novo rumo às investigações
O nome da médica voltou ao centro das atenções em julho de 2024, quando ela foi presa após o rapto de uma recém-nascida no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia.
Segundo a investigação daquele caso, ela entrou na maternidade utilizando jaleco, máscara, crachá e identificação falsos, apresentando-se como médica pediatra. A bebê foi retirada da unidade hospitalar e posteriormente localizada pela polícia em segurança.
A repercussão desse episódio levou ao aprofundamento de outras investigações, incluindo o homicídio da farmacêutica, que acabou resultando na denúncia atualmente encaminhada ao Tribunal do Júri.
Acusação e defesa
O Ministério Público sustenta que a médica foi a mandante do homicídio e que o outro acusado executou o crime mediante pagamento. As acusações serão submetidas ao julgamento popular.
No caso relacionado ao rapto da recém-nascida, a defesa da médica afirmou anteriormente que ela sofria de transtorno bipolar e estaria em crise psicótica durante aquele episódio. Essa alegação integra outro processo criminal e não representa decisão definitiva da Justiça.
Próximos passos do processo
Com a manutenção da decisão de pronúncia, caberá ao Tribunal do Júri marcar a sessão de julgamento. Os jurados serão responsáveis por decidir se os acusados devem ser absolvidos ou condenados pelas acusações formuladas pelo Ministério Público.
Até a realização do julgamento, permanece válida a presunção de inocência dos réus, conforme determina a legislação brasileira.
A decisão da Justiça encerra a fase de admissibilidade da acusação e encaminha o caso ao Tribunal do Júri. Ainda não há data definida para o julgamento dos dois acusados.

