Nos bastidores do poder em Washington, dois nomes se tornaram centrais na condução da política externa e das operações militares do governo de Donald Trump: Marco Rubio e Pete Hegseth. Enquanto Rubio atua como arquiteto diplomático e estrategista político, Hegseth lidera a dimensão militar da estratégia global dos Estados Unidos. Juntos, os dois formam o núcleo duro da política de segurança nacional da atual administração americana, sendo frequentemente descritos por analistas como os principais executores da visão geopolítica de Trump.
A influência de ambos se tornou ainda mais evidente em meio à escalada de conflitos internacionais envolvendo os Estados Unidos — especialmente no Oriente Médio — e na formulação de iniciativas militares e estratégicas em diferentes regiões do mundo. De um lado está Rubio, secretário de Estado e também responsável por funções estratégicas na segurança nacional; do outro, Hegseth, secretário de Defesa e comandante político da máquina militar americana.
Este artigo analisa quem são essas duas figuras, suas trajetórias, visões ideológicas, papel dentro do governo e como se tornaram os principais conselheiros de Trump em tempos de guerra.
Marco Rubio: o arquiteto diplomático da estratégia de guerra
Marco Rubio nasceu em Miami, na Flórida, filho de imigrantes cubanos que fugiram do regime de Fidel Castro. Sua história familiar e formação política sempre estiveram profundamente ligadas ao anticomunismo e à política externa agressiva contra regimes considerados adversários dos Estados Unidos.
Rubio iniciou sua carreira política na legislatura da Flórida e rapidamente se destacou dentro do Partido Republicano. Em 2010, foi eleito senador pelo estado da Flórida, cargo que ocupou por mais de uma década, consolidando-se como uma das principais vozes conservadoras do Congresso americano.

Durante sua trajetória no Senado, Rubio construiu reputação como especialista em política externa. Ele integrou comissões importantes, como a de Relações Exteriores e a de Inteligência, onde ganhou influência nas discussões sobre segurança nacional, China, Rússia e Oriente Médio.
Essa experiência o colocou naturalmente entre os nomes cotados para posições estratégicas no governo Trump.
Rivalidade com Trump e posterior aliança
Curiosamente, Rubio e Donald Trump começaram como adversários políticos. Durante as primárias republicanas de 2016, Rubio foi um dos principais rivais do empresário na disputa pela indicação presidencial. Na época, Trump chegou a apelidá-lo de “Little Marco”, em um dos episódios mais marcantes das disputas internas do partido.
Com o tempo, porém, a relação mudou. Após a consolidação da liderança de Trump dentro do Partido Republicano, Rubio passou a alinhar-se cada vez mais com a agenda política do ex-presidente, especialmente na política externa baseada no conceito de “America First”.
Essa convergência política acabou aproximando os dois líderes. Quando Trump retornou ao poder, Rubio foi escolhido para assumir o Departamento de Estado.
Secretário de Estado e estrategista da segurança nacional
Em janeiro de 2025, Rubio assumiu oficialmente o cargo de secretário de Estado dos Estados Unidos. Pouco tempo depois, ganhou ainda mais poder dentro da administração ao assumir também, de forma interina, a função de assessor de segurança nacional da Casa Branca.
Essa combinação de funções é extremamente rara na história americana. O último político a exercer simultaneamente os dois papéis havia sido Henry Kissinger nos anos 1970.
Na prática, essa concentração de poder colocou Rubio no centro das decisões de política externa do governo. Ele passou a coordenar diretamente:
- a diplomacia internacional
- negociações estratégicas com aliados
- definição de sanções e políticas contra adversários
- planejamento geopolítico de longo prazo
Dentro da Casa Branca, Rubio ganhou o apelido informal de “Secretário de Tudo”, reflexo do enorme número de responsabilidades acumuladas.
O papel de Rubio em conflitos internacionais
Rubio tem sido um dos principais defensores de uma postura agressiva dos Estados Unidos em relação a rivais estratégicos, incluindo China, Irã e regimes considerados hostis na América Latina.
Entre suas posições mais conhecidas estão:
- apoio firme a Israel em conflitos no Oriente Médio
- endurecimento da política contra o Irã
- postura dura contra governos como Venezuela e Cuba
- pressão diplomática sobre China e Rússia
Ele também participa diretamente da formulação de estratégias militares e diplomáticas envolvendo operações dos EUA no exterior.
Em alguns casos, Rubio atua como mediador diplomático de crises, enquanto em outros lidera campanhas de sanções e isolamento político.
O “Shield of the Americas” e a estratégia hemisférica
Um dos projetos recentes associados a Rubio é a iniciativa conhecida como “Shield of the Americas”, uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos para combater cartéis de drogas e fortalecer a segurança no hemisfério ocidental.
O programa envolve cooperação militar e policial entre vários países das Américas e busca ampliar a influência estratégica de Washington na região.
Rubio desempenha papel central nesse projeto, coordenando diplomacia, acordos de segurança e cooperação regional.
Pete Hegseth: o comandante político da máquina militar
Enquanto Rubio representa a ala diplomática da estratégia de Trump, o outro pilar da política de guerra da administração é Pete Hegseth.
Hegseth é um veterano do Exército dos Estados Unidos que serviu em missões militares no Iraque e no Afeganistão. Após deixar o serviço ativo, ele se tornou comentarista político e apresentador da rede conservadora Fox News, onde ganhou notoriedade defendendo posições nacionalistas e pró-militares.
Seu perfil combativo e seu alinhamento ideológico com Trump o transformaram em uma figura popular entre setores conservadores.

Quando Trump retornou à presidência, Hegseth foi escolhido para liderar o Pentágono como secretário de Defesa.
A nomeação surpreendeu parte do establishment político e militar, já que Hegseth vinha principalmente do mundo da mídia. No entanto, seus apoiadores argumentaram que sua experiência militar e sua proximidade com a base conservadora o tornavam ideal para implementar a agenda militar de Trump.
Como secretário de Defesa, Hegseth passou a supervisionar:
- as Forças Armadas dos Estados Unidos
- operações militares no exterior
- planejamento estratégico de defesa
- orçamento militar e programas de modernização
Desde que assumiu o cargo, Hegseth tem defendido uma estratégia de força militar decisiva contra adversários dos Estados Unidos.
Em meio à escalada do conflito com o Irã, ele afirmou publicamente que o país estava preparado para sofrer novas baixas no campo de batalha e que a guerra poderia se prolongar.
Segundo Hegseth, o objetivo da campanha militar é impor pressão suficiente para forçar adversários a recuar ou negociar em condições favoráveis aos Estados Unidos.
Essa postura reforça sua reputação como um dos membros mais agressivos do gabinete de Trump.
Além das operações militares, Hegseth também tem promovido mudanças internas nas Forças Armadas.
Entre suas prioridades estão:
- aumentar o foco em combate e preparação militar
- reduzir programas considerados ideológicos dentro do Pentágono
- pressionar aliados da OTAN a aumentar gastos militares
- reforçar o apoio estratégico a Israel
Essas políticas refletem diretamente a visão de segurança nacional de Trump, baseada na ideia de que o poder militar deve ser o principal instrumento de influência global dos Estados Unidos.
Dentro da estrutura de poder da Casa Branca, Rubio e Hegseth formam uma dupla complementar.
Enquanto Rubio atua na diplomacia e estratégia geopolítica, Hegseth executa a dimensão militar dessas decisões.
Na prática, o funcionamento dessa parceria segue um padrão relativamente claro:
Rubio
- negocia alianças
- articula sanções e pressão diplomática
- define a estratégia política internacional
Hegseth
- planeja operações militares
- supervisiona forças armadas
- executa decisões estratégicas no campo de batalha
Essa divisão de funções faz com que os dois sejam frequentemente descritos como os principais braços de Trump em política externa e guerra.
Outro fator que fortalece o poder dessa dupla é a relação direta com o presidente.
Trump sempre valorizou assessores leais e capazes de implementar sua agenda sem grandes resistências internas. Rubio e Hegseth se encaixam nesse perfil.
Rubio fornece ao presidente uma visão estratégica e diplomática das crises internacionais. Já Hegseth traduz essas decisões em ações militares concretas.
Essa dinâmica cria um círculo de decisão relativamente fechado, onde a política externa americana é formulada por um pequeno grupo de líderes altamente alinhados.
Apesar da influência crescente, ambos também enfrentam críticas.
Analistas e opositores afirmam que a política externa conduzida por Rubio e Hegseth é excessivamente agressiva e aumenta o risco de conflitos internacionais.
Entre as principais críticas estão:
- escalada de tensões com o Irã
- aumento de operações militares no exterior
- redução do foco em diplomacia tradicional
- risco de ampliação de conflitos regionais
Ainda assim, dentro da base política de Trump, os dois são vistos como figuras essenciais para restaurar o que os apoiadores chamam de “força estratégica” dos Estados Unidos.
Com o cenário internacional cada vez mais instável, a influência de Rubio e Hegseth tende a crescer.
A política externa americana enfrenta desafios simultâneos em várias frentes:
- Oriente Médio
- competição estratégica com China
- guerra na Europa Oriental
- crise migratória nas Américas
Nesse contexto, a dupla continua sendo central na formulação da estratégia global dos Estados Unidos.
Se o governo Trump mantiver sua atual orientação, Marco Rubio e Pete Hegseth devem permanecer como os dois principais nomes por trás das decisões que moldam o papel militar e diplomático americano no mundo.