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Exportações do Brasil aos EUA caem 12,2% em 2026 e atingem menor nível em três anos por causa do tarifaço de Trump

Economia

As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 12,2% entre janeiro e julho de 2026 e atingiram o menor patamar dos últimos três anos, reflexo direto do tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump, enquanto as vendas do Brasil para o restante do mundo seguem em alta.

Por Redação Ponto de Vista BR — Atualizado em 12 de agosto de 2026

Segundo levantamento divulgado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil, a Amcham, as vendas brasileiras ao mercado norte-americano somaram US$ 21 bilhões nos sete primeiros meses de 2026, uma retração de cerca de US$ 2,9 bilhões na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado representa o pior desempenho para o intervalo entre janeiro e julho em três anos, em um cenário fortemente marcado pelo impacto das tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros ao longo de 2026.

O recuo foi ainda mais acentuado entre os itens submetidos às sobretaxas mais elevadas impostas pelo governo americano, grupo de produtos que registrou queda de 31,5% no acumulado do ano, passando de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões em vendas ao mercado dos Estados Unidos.

-12,2%
Queda nas exportaçõesRetração nas vendas brasileiras aos EUA entre janeiro e julho de 2026, ante o mesmo período de 2025.
US$ 21 bi
Total exportado aos EUAValor acumulado nos sete primeiros meses do ano, menor patamar para o período em três anos.
+19,7%
Alta nas vendas à ChinaCrescimento das exportações brasileiras ao maior parceiro comercial do país no mesmo período.

Como surgiu o tarifaço que atinge produtos brasileiros

O agravamento das tarifas começou em julho, quando o governo americano publicou duas medidas decorrentes de investigações conduzidas com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, aplicando sobretaxas adicionais de 25% e de 12,5% sobre parcelas das importações vindas do Brasil. No fim do mesmo mês, uma tarifa adicional de 12,5% passou a incidir sobre determinados produtos brasileiros, dentro de um pacote de medidas que atingiu 60 economias investigadas por supostamente não impedirem de forma efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Combinadas, essas sobretaxas específicas somam-se a uma tarifa geral de 25% aplicada anteriormente sobre o Brasil, elevando a carga tarifária total sobre setores como calçados, máquinas, equipamentos, peças e produtos químicos não farmacêuticos a até 37,5%. Em conjunto, as novas medidas americanas passaram a alcançar 23,1% de toda a pauta exportadora brasileira, deixando pouco mais da metade dos produtos do país, cerca de 52,7%, livre de tarifas adicionais setoriais ou específicas.

Julho isolado mostra queda mais moderada, mas ainda negativa

Analisado isoladamente, o mês de julho de 2026 registrou exportações de US$ 3,6 bilhões ao mercado americano, uma queda de 5% frente a julho do ano anterior, interrompendo a recuperação que vinha sendo observada em junho, quando as vendas brasileiras aos Estados Unidos haviam crescido pela primeira vez desde agosto de 2025. Entre os produtos mais sobretaxados, a retração em julho foi ainda mais acentuada, de 25,7% na comparação anual, embora, segundo técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a queda de julho como um todo não possa ser diretamente atribuída ao novo pacote tarifário, já que ele passou a valer plenamente apenas a partir do fim daquele mês.

Nem todos os setores sentiram o mesmo impacto

Enquanto produtos sujeitos às tarifas mais altas despencaram, uma categoria específica seguiu direção oposta: os itens enquadrados na chamada Seção 232, que trata de bens considerados estratégicos por motivos de segurança nacional, como aço, alumínio, transformadores e máquinas pesadas, registraram crescimento de 21,5% nas exportações brasileiras em julho, impulsionados principalmente pelas vendas de produtos siderúrgicos, que seguem regras tarifárias setoriais próprias, distintas do pacote geral aplicado ao restante da pauta exportadora do país.

China compensa parte das perdas, mas déficit bilateral dobra

Enquanto as vendas aos Estados Unidos recuavam, as exportações brasileiras para o mundo todo cresceram 10,5% no mesmo período, muito puxadas pela China, principal parceiro comercial do Brasil, que absorveu US$ 69 bilhões em produtos brasileiros entre janeiro e julho, uma alta de 19,7% na comparação anual. Ainda assim, no comércio bilateral especificamente com os Estados Unidos, o Brasil acumulou déficit de US$ 2,3 bilhões no período, mais que o dobro do valor registrado um ano antes, resultado da combinação entre a queda nas exportações e um recuo mais moderado nas importações vindas do mercado americano, que somaram US$ 23,2 bilhões, uma retração de 10,4% no mesmo intervalo.

Fontes consultadas

Monitor do Comércio Brasil-Estados Unidos, elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) com base em dados do Comexstat, com cobertura do Jornal GGN e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Consulta em 12 de agosto de 2026.

Redação

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