Jovem quase morre após AVC ser confundido com enxaqueca por quase dois anos
Tayla Sanchez tinha 25 anos quando uma dor de cabeça persistente, tratada durante cerca de um ano e meio como enxaqueca, evoluiu para convulsões, coma induzido, intubação e diagnóstico de AVC causado por trombose venosa cerebral.
A jornalista e escritora Tayla Sanchez, hoje com 35 anos, quase morreu aos 25 após um acidente vascular cerebral que, segundo o relato publicado, foi diagnosticado tardiamente. Antes da internação em estado crítico, ela havia procurado atendimento médico repetidas vezes por causa de dores de cabeça intensas e recebeu, nas consultas anteriores, diagnóstico de enxaqueca.
O episódio mais grave ocorreu em setembro de 2016. Tayla já convivia havia cerca de um ano e meio com dor de cabeça persistente quando o quadro piorou de forma rápida. Dentro do hospital, ela teve ao menos cinco convulsões, precisou ser intubada e foi colocada em coma induzido.
Durante a internação, a paciente chegou a ser considerada em estado crítico. O relato informa que a pupila de Tayla parou de responder a estímulos, um dos sinais observados na avaliação neurológica de pacientes sedados. A família foi avisada de que ela poderia não resistir, mas ela voltou a abrir os olhos dias depois.
Diagnóstico final apontou trombose venosa cerebral
O diagnóstico final foi de AVC isquêmico desencadeado por trombose venosa cerebral. Essa condição ocorre quando um coágulo bloqueia veias ou seios venosos responsáveis pela drenagem do sangue no cérebro.
Quando a drenagem do sangue é comprometida, pode haver aumento da pressão dentro do crânio. Esse processo pode provocar lesões cerebrais, convulsões, alterações neurológicas e, em casos graves, risco de morte.
No caso de Tayla, a investigação médica também apontou que ela tinha uma predisposição genética à formação de coágulos. Essa informação só foi identificada depois do AVC, quando exames mais específicos foram realizados.
A dor de cabeça foi tratada como enxaqueca por cerca de um ano e meio, mas o quadro evoluiu para AVC causado por trombose venosa cerebral. A paciente teve convulsões, coma induzido, intubação, internação prolongada e sequelas motoras durante a recuperação.
Dificuldade para fazer exame atrasou confirmação
A reportagem relata que houve dificuldade para realizar a tomografia durante a internação. O aparelho do hospital estava quebrado e, segundo o relato, o convênio inicialmente não autorizou a realização do exame em outro serviço.
A confirmação do AVC veio após exames de imagem. Esse tipo de avaliação é fundamental em quadros neurológicos graves porque permite identificar sinais de sangramento, obstrução, edema, trombose ou outras alterações no cérebro.
O Ministério da Saúde define o acidente vascular cerebral como uma condição que ocorre quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, interrompendo a circulação sanguínea. O AVC pode ser isquêmico, quando há obstrução do fluxo de sangue, ou hemorrágico, quando há rompimento de vaso.
Anticoncepcional entrou na investigação médica
Tayla usava anticoncepcional hormonal havia cerca de dez anos. Depois do AVC, exames identificaram uma condição genética relacionada à formação de coágulos, o que, segundo o relato, tornava contraindicado o uso de método hormonal combinado.
A Anvisa informa que o uso de contraceptivos orais combinados aumenta o risco de tromboembolismo venoso em comparação ao não uso. Esses eventos envolvem a formação de coágulos na circulação e podem atingir diferentes regiões do corpo.
A agência reguladora também destaca que a decisão de usar esse tipo de medicamento deve considerar fatores individuais de risco. Histórico pessoal, histórico familiar, tabagismo, obesidade, idade, imobilização prolongada e predisposição a trombose são elementos avaliados na prescrição médica.
AVC também pode atingir pessoas jovens
O caso de Tayla chama atenção porque o AVC costuma ser associado a pessoas mais velhas, especialmente pacientes com hipertensão arterial, diabetes, arritmias ou outras doenças cardiovasculares. No entanto, o acidente vascular cerebral também pode ocorrer em adultos jovens.
Em pacientes mais novos, a investigação pode incluir causas diferentes das mais frequentes em idosos. Entre elas estão trombofilias, doenças autoimunes, alterações vasculares, uso de hormônios, doenças cardíacas, infecções, traumas, distúrbios de coagulação e trombose venosa cerebral.
A demora para associar sintomas neurológicos a AVC em pessoas jovens pode retardar exames e tratamento. No relato de Tayla, a dor de cabeça persistente foi interpretada como enxaqueca antes da descoberta da trombose venosa cerebral.
Sinais de AVC exigem atendimento imediato
O Ministério da Saúde lista como sinais de alerta para AVC a confusão mental, alteração na fala ou na compreensão, alteração na visão, dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente, alteração no equilíbrio, tontura, mudança no andar, fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, incluindo rosto, braço ou perna.
O SAMU 192 orienta atendimento de urgência em suspeitas de AVC, especialmente quando há alteração súbita na fala, perda de força em um lado do corpo ou desvio da comissura labial. O atendimento rápido é determinante porque o tempo influencia diretamente as chances de tratamento e redução de sequelas.
Nem toda dor de cabeça indica AVC, mas dor súbita, muito intensa, diferente do padrão habitual ou acompanhada de sintomas neurológicos precisa ser avaliada com urgência. Convulsões, perda de força, confusão mental, alteração visual e dificuldade para falar são sinais que exigem atenção imediata.
Recuperação incluiu reabilitação da fala e dos movimentos
Após acordar, Tayla havia perdido movimentos do lado direito do corpo. A recuperação envolveu reaprender atividades básicas, incluindo falar, andar, escrever e digitar.
Como jornalista e escritora, ela relatou impacto direto na rotina profissional. A velocidade de digitação, que fazia parte do trabalho antes do AVC, não voltou ao mesmo nível após a recuperação.
A internação durou quase três semanas. Depois da alta, Tayla passou por acompanhamento e reabilitação. Dez anos depois, segue com acompanhamento hematológico e exames periódicos de coagulação.
Controle após o AVC mudou a rotina médica
Depois do diagnóstico, Tayla deixou de usar anticoncepcional hormonal. O acompanhamento médico passou a incluir avaliação com hematologista e controle regular para monitorar fatores ligados à coagulação.
Em casos de trombose venosa cerebral, o acompanhamento pode envolver investigação de trombofilias, avaliação de medicamentos em uso, análise de histórico familiar e controle de fatores que aumentem risco de novos eventos trombóticos.
A história relatada também reforça a importância de registrar com precisão a duração dos sintomas, mudanças no padrão da dor, resposta a medicamentos, presença de náuseas, vômitos, alteração visual, desmaios, convulsões ou sintomas neurológicos associados.
Diferença entre enxaqueca e sinal de alerta
A enxaqueca é uma condição neurológica comum e pode causar dor intensa, sensibilidade à luz, enjoo e limitação das atividades. O diagnóstico costuma levar em conta padrão recorrente, histórico clínico e ausência de sinais que indiquem outra causa.
Dor de cabeça persistente, progressiva, súbita, muito diferente do padrão habitual ou acompanhada de convulsões, fraqueza, alteração na fala, confusão mental, visão alterada ou perda de equilíbrio precisa ser investigada para excluir causas graves.
No caso de Tayla, o fator que mudou o quadro foi a identificação da trombose venosa cerebral, condição que não havia sido detectada nas consultas anteriores relatadas pela paciente.
Tayla Sanchez sobreviveu a um AVC isquêmico causado por trombose venosa cerebral após cerca de um ano e meio de dores tratadas como enxaqueca. O caso envolveu convulsões, coma induzido, intubação, quase três semanas de internação, reabilitação motora e acompanhamento médico contínuo.

