O Peso da Chama: Região Norte Lidera o Ranking do Gás de Cozinha Mais Caro do Brasil
Se o custo do “sacolão” já pressiona o orçamento do brasileiro, o simples ato de cozinhar esses alimentos tornou-se um item de peso para as famílias. Dados oficiais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), consolidados no fechamento de abril e início de maio de 2026, revelam que o preço médio nacional do botijão de gás (GLP de 13 kg) atingiu a marca de R$ 114,61. No entanto, a realidade de quem acende a boca do fogão muda drasticamente dependendo da região do país.
A Região Norte assumiu a ingrata liderança de possuir o gás de cozinha mais caro do Brasil. Puxada por gargalos logísticos históricos, distâncias continentais e o custo elevado do frete rodoviário e fluvial, a região vê o botijão ultrapassar facilmente a marca dos R$ 140 em algumas localidades. Na contramão, a Região Sudeste apresenta as médias mais amenas, servindo como um alívio impulsionado pela malha logística enxuta e forte presença de refinarias e polos de distribuição.
O Mapa do Gás: Desigualdade Continental
A disparidade no território nacional é impressionante. Enquanto um morador de Belo Horizonte ou do Rio de Janeiro consegue comprar o botijão por menos de R$ 100, quem vive em Roraima chega a pagar quase 50% a mais pelo exato mesmo produto.
O repasse de custos recentes nas distribuidoras e os reflexos da volatilidade do petróleo no mercado internacional atingiram as revendas em cheio no mês de abril. Abaixo, o panorama de cada região e os valores médios de revenda levantados nas 27 capitais brasileiras:
1. Região Norte: A Liderança do “Custo Brasil”
O Norte sofre diretamente com a alta dependência de transportes complexos por longas distâncias, o que gera um ágio pesado no valor final do produto. Boa Vista (RR) lidera o ranking nacional absoluto com o gás mais caro do país.
• Boa Vista (RR): R$ 142,28 (O mais caro do Brasil)
• Macapá (AP): R$ 124,90
• Rio Branco (AC): R$ 122,12
• Palmas (TO): R$ 114,87
• Belém (PA): R$ 113,43
• Manaus (AM): R$ 113,00
• Porto Velho (RO): R$ 108,34
2. Região Nordeste: O Ponto Fora da Curva Baiano
Embora a maioria dos estados nordestinos apresente uma média na faixa dos R$ 100, Salvador é a grande exceção. O preço do botijão na capital baiana disparou após reajustes consecutivos das gestões privatizadas locais, tornando-se o segundo mais caro entre todas as capitais do país, superando até mesmo a maioria das capitais do Norte.
• Salvador (BA): R$ 131,67
• São Luís (MA): R$ 107,80
• Recife (PE): R$ 103,33
• Aracaju (SE): R$ 102,84
• Fortaleza (CE): R$ 102,13
• João Pessoa (PB): R$ 102,13
• Teresina (PI): R$ 101,56
• Natal (RN): R$ 101,03
• Maceió (AL): R$ 95,49
3. Região Sul: Contrastes Regionais
O Sul apresenta uma forte montanha-russa em sua tabela. O Paraná tem um dos valores mais competitivos da nação, mas Santa Catarina vê a capital Florianópolis registrar custos que assustam o consumidor, fortemente influenciados pela logística de distribuição litorânea.
• Florianópolis (SC): R$ 132,00
• Porto Alegre (RS): R$ 101,33
• Curitiba (PR): R$ 96,00
4. Região Centro-Oeste: Reflexos do Frete
No Centro-Oeste, o peso da tributação estadual e a distribuição pelas grandes rodovias ditam as regras. Cuiabá puxa a média da região para cima, enquanto a capital federal e Goiás mantêm patamares mais amigáveis ao bolso.
• Cuiabá (MT): R$ 125,05
• Campo Grande (MS): R$ 100,04
• Goiânia (GO): R$ 98,32
• Brasília (DF): R$ 95,52
5. Região Sudeste: O Alívio de Preço nas Metrópoles
O Sudeste concentra grande parte das capitais com os botijões mais baratos do Brasil. A alta densidade de refinarias e a forte concorrência entre as revendedoras espremem as margens e beneficiam o consumidor. Mesmo com as oscilações em São Paulo, é no Sudeste que o brasileiro encontra o cenário mais favorável.
• São Paulo (SP): R$ 119,29
• Rio de Janeiro (RJ): R$ 97,91
• Vitória (ES): R$ 97,71
• Belo Horizonte (MG): R$ 94,48 (A capital mais barata do país)
Os dados expostos refletem a média de mercado consolidada nos últimos levantamentos semanais da ANP e sindicatos do setor referentes à transição de abril para maio de 2026. Os valores nas bombas e revendas sofrem flutuações, podendo variar de acordo com a distribuidora e a região administrativa dentro de cada município.
