MP mira Virginia e Blaze e pede R$ 120 milhões por propaganda de apostas durante a Copa
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios acionou Virginia Fonseca e a plataforma Blaze na Justiça e pediu indenização mínima de R$ 120 milhões por danos morais coletivos. A ação aponta supostas práticas publicitárias abusivas ligadas à divulgação de apostas durante a Copa do Mundo.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios ajuizou uma ação civil pública contra a influenciadora Virginia Fonseca e a plataforma de apostas Blaze. O processo foi apresentado ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e tramita na 7ª Vara Cível de Brasília.
Na ação, o MPDFT pede que Virginia e a Blaze sejam condenadas solidariamente ao pagamento de pelo menos R$ 120 milhões por danos morais coletivos.
O órgão afirma que a plataforma e a influenciadora teriam usado estratégias publicitárias consideradas abusivas para atrair consumidores para apostas esportivas durante a Copa do Mundo.
MP aponta promessa de ganhos fáceis
Segundo o Ministério Público, a publicidade questionada teria apresentado apostas como uma oportunidade de lucro rápido, com potencial de induzir consumidores ao erro.
A ação sustenta que a Blaze utilizou campanhas com grande alcance digital, influenciadores conhecidos e linguagem de incentivo para estimular o público a apostar.
Para o MPDFT, esse tipo de divulgação pode criar uma falsa percepção de ganho fácil, principalmente entre consumidores vulneráveis financeiramente.
Virginia é citada por publicações durante a Copa
A ação cita publicações feitas por Virginia Fonseca durante a Copa do Mundo de 2026. Segundo o MPDFT, a influenciadora teria divulgado conteúdos incentivando seguidores a apostar na Blaze.
Um dos pontos mencionados no processo envolve publicações relacionadas ao jogo entre Argentina e Cabo Verde. O Ministério Público afirma que a divulgação teria estimulado apostas em evento esportivo específico.
O órgão também aponta que parte do conteúdo teria sido apresentado de forma pessoal, sem clareza suficiente sobre o caráter publicitário da mensagem.
Promotoria fala em publicidade disfarçada
A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor afirma que a influência digital pode funcionar como uma espécie de selo de confiança para o público.
Na avaliação do MPDFT, quando uma pessoa com milhões de seguidores recomenda um serviço, a mensagem deixa de ser apenas uma opinião comum e passa a ter forte poder de indução de consumo.
O processo sustenta que esse efeito seria ainda mais grave quando envolve apostas, promessa de dinheiro e possibilidade de perdas financeiras.
Pedido inclui retirada de conteúdos
Além da indenização de R$ 120 milhões, o Ministério Público pediu tutela de urgência para que a Justiça determine a remoção de conteúdos publicitários considerados irregulares.
O pedido atinge publicações que prometam lucros irreais, induzam o consumidor a erro, estimulem apostas em time, evento ou condição esportiva específica, utilizem publicidade disfarçada ou adotem mecanismos de convencimento considerados abusivos.
O objetivo, segundo a ação, é impedir que campanhas semelhantes continuem sendo veiculadas enquanto o processo é analisado.
Valor foi calculado com base na atividade da Blaze
O pedido de R$ 120 milhões foi apresentado como indenização por danos morais coletivos.
Segundo a CNN Brasil, o valor foi calculado com base em estimativa conservadora de que a Blaze movimentaria cerca de R$ 600 milhões por ano em receita bruta de jogos. O MPDFT aplicou um percentual de 20% sobre esse montante para chegar ao valor pedido.
Na avaliação do órgão, a quantia teria função punitiva e também serviria para desestimular a repetição das condutas apontadas no processo.
Dinheiro poderia ir para programas sociais
O Ministério Público pediu que eventual indenização seja revertida preferencialmente para programas sociais, educativos e de saúde mental voltados a consumidores e apostadores.
Outra possibilidade citada na ação é a destinação dos valores ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.
Esse tipo de pedido é comum em ações civis públicas quando o órgão sustenta que o dano atingiu uma coletividade de consumidores.
Investigação começou com denúncias de consumidores
A ação é resultado de um inquérito civil instaurado para investigar a Blaze. A apuração foi conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor.
Segundo informações divulgadas anteriormente, o MPDFT passou a analisar relatos de consumidores sobre retenção de valores, bloqueio de contas e dificuldades para sacar dinheiro depositado na plataforma.
O órgão também requisitou relatórios de reclamações contra a Blaze e documentos sobre funcionamento de contas, bônus, promoções e critérios para bloqueios.
Mais de 42 mil reclamações entraram no radar
Relatórios citados na investigação apontaram mais de 42 mil reclamações contra a Blaze em um período de 12 meses no Reclame Aqui.
As queixas envolveriam problemas como bloqueio de contas, retenção de valores, dificuldades de saque e reclamações sobre atendimento.
Para o Ministério Público, o volume de reclamações ajudou a indicar a necessidade de aprofundar a investigação sobre possíveis violações aos direitos dos consumidores.
Contratos com influenciadores também foram cobrados
Antes da ação, o MPDFT havia cobrado da Blaze cópias de contratos com influenciadores e celebridades que divulgaram a plataforma.
Entre os nomes mencionados em reportagens anteriores estavam Virginia Fonseca, Neymar e outros influenciadores ligados a campanhas publicitárias da casa de apostas.
O objetivo era verificar diretrizes de marketing, formas de remuneração, uso de expressões como “renda extra” e eventuais incentivos associados à captação de apostadores.
Ação cita possível conflito de interesses
A ação menciona informações de investigações sobre remuneração vinculada às perdas de apostadores captados.
Segundo o Ministério Público, caso esse modelo seja confirmado, haveria agravamento do conflito de interesses, porque a publicidade poderia incentivar seguidores a apostar enquanto o divulgador teria vantagem financeira ligada ao desempenho da plataforma.
Esse ponto deverá ser analisado pela Justiça ao longo do processo, junto com os documentos e manifestações das partes envolvidas.
Blaze diz que não foi formalmente intimada
Em nota divulgada à CNN Brasil, a Foggo Entertainment Ltda., responsável pela marca e operação Blaze no Brasil, afirmou que ainda não havia sido formalmente intimada sobre o procedimento.
A empresa disse manter compromisso com transparência, conformidade com a legislação e normas aplicáveis no país, além de afirmar que suas operações seguem diretrizes de jogo responsável.
A Blaze também afirmou que prestará esclarecimentos às autoridades competentes assim que for formalmente notificada.
Virginia ainda pode apresentar defesa
A ação civil pública não significa condenação. Virginia Fonseca e a Blaze ainda poderão apresentar defesa, documentos, argumentos e pedidos dentro do processo.
Até a decisão judicial, as alegações do Ministério Público serão analisadas pela Justiça, que poderá aceitar ou rejeitar os pedidos feitos na ação.
A eventual condenação, o valor de indenização e as obrigações de retirada de conteúdo dependerão de decisão da 7ª Vara Cível de Brasília.
CPI das Bets já havia colocado Virginia sob pressão
Virginia também já havia sido chamada a depor na CPI das Bets, no Senado, em 2025. Na ocasião, a comissão investigava a atuação de plataformas de apostas e a relação com influenciadores digitais.
A presença da influenciadora no debate público sobre apostas ampliou a exposição do tema e reforçou a discussão sobre responsabilidade de celebridades na divulgação de bets.
Agora, a ação do MPDFT leva a discussão para o campo judicial, com pedido de indenização milionária e possível imposição de limites a campanhas publicitárias.
Debate sobre apostas ganha força
O caso ocorre em um momento de forte discussão no Brasil sobre publicidade de apostas, proteção do consumidor, vício em jogos e impacto financeiro sobre famílias.
A regulamentação das apostas esportivas trouxe regras para operação das empresas, mas ainda há questionamentos sobre a forma como essas plataformas são promovidas nas redes sociais.
Para o Ministério Público, influenciadores com grande alcance devem ter responsabilidade redobrada ao divulgar serviços que envolvem risco financeiro.
Ação ainda não tem decisão
Até as últimas atualizações disponíveis, a ação tramitava na 7ª Vara Cível de Brasília e ainda não havia decisão judicial.
A Justiça deverá analisar primeiro os pedidos urgentes, incluindo a retirada de conteúdos considerados irregulares.
Depois, o processo seguirá com manifestação das partes, produção de provas e julgamento dos pedidos apresentados pelo MPDFT.

