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Do Cerrado à Amazônia: o animal brasileiro que conquista territórios onde muitos predadores desaparecem

Apesar da aparência semelhante à de cães domésticos e raposas, o cachorro-do-mato pertence a uma espécie própria que evoluiu para ocupar diferentes ecossistemas sul-americanos

O cachorro-do-mato apresenta uma dieta baseada principalmente em frutas, raízes, insetos e pequenos vertebrados (Imagem: Pablo Rodriguez arg | Shutterstock)
FAUNA BRASILEIRA • MAMÍFEROS • CONSERVAÇÃO

Presente em praticamente todos os biomas brasileiros, o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) é um dos mamíferos silvestres mais adaptáveis da América do Sul. Apesar de ser frequentemente confundido com cães domésticos, raposas ou até lobos-guará, trata-se de uma espécie própria que desempenha papel importante no equilíbrio ecológico de florestas, cerrados, campos e áreas rurais.

O que é o cachorro-do-mato

O cachorro-do-mato pertence à família Canidae, a mesma dos cães, lobos e raposas. Seu nome científico é Cerdocyon thous e a espécie ocorre em grande parte da América do Sul, incluindo Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela e Guianas.

No Brasil, também é conhecido regionalmente como graxaim-do-mato, zorro, raposa-do-mato ou simplesmente graxaim. A espécie possui ampla distribuição geográfica e está presente em praticamente todos os biomas nacionais.

Ficha da espécie

Nome científico Cerdocyon thous
Família Canidae
Peso médio 6 a 8 kg
Comprimento corporal 60 a 70 cm
Comprimento da cauda Até 30 cm
Hábitos Noturnos e crepusculares
Estado de conservação Pouco Preocupante (LC)

Onde o animal vive

O cachorro-do-mato está entre os canídeos com maior distribuição geográfica da América do Sul. No Brasil, sua presença foi registrada na Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampas.

A espécie demonstra elevada capacidade de adaptação e pode ocupar áreas de vegetação nativa, zonas agrícolas, regiões de pastagem e ambientes próximos a cidades. No entanto, estudos indicam que sua tolerância diminui em áreas altamente urbanizadas.

Biomas brasileiros onde ocorre

  • Amazônia
  • Cerrado
  • Caatinga
  • Mata Atlântica
  • Pantanal
  • Pampas

Alimentação extremamente variada

Ao contrário do que o nome popular sugere, o cachorro-do-mato não vive apenas da caça. Trata-se de um animal onívoro, capaz de consumir dezenas de tipos diferentes de alimentos conforme a disponibilidade do ambiente.

Sua dieta inclui frutas, insetos, pequenos mamíferos, aves, anfíbios, lagartos, ovos, caranguejos, crustáceos e até carcaças de animais mortos. Essa flexibilidade alimentar ajuda a explicar sua ampla distribuição geográfica.

Pesquisas realizadas em diferentes regiões do Brasil mostram que frutos podem representar parcela significativa da alimentação em determinadas épocas do ano, transformando o animal em importante dispersor de sementes.

Caçador e jardineiro ao mesmo tempo

O cachorro-do-mato exerce dupla função ecológica. Como predador, ajuda a controlar populações de pequenos vertebrados e insetos. Como consumidor de frutos, espalha sementes por longas distâncias através das fezes, contribuindo para a regeneração da vegetação.

Esse papel ecológico é considerado importante principalmente em áreas de Cerrado e Mata Atlântica, onde diversas espécies vegetais dependem da dispersão realizada por animais silvestres.

Principais alimentos registrados

  • Frutas silvestres.
  • Insetos.
  • Pequenos roedores.
  • Aves.
  • Répteis.
  • Anfíbios.
  • Ovos.
  • Caranguejos e crustáceos.
  • Animais encontrados mortos.

Reprodução e vida familiar

Estudos indicam que a espécie forma casais monogâmicos. A gestação dura entre 52 e 59 dias, resultando normalmente em ninhadas de três a seis filhotes.

Os filhotes nascem com os olhos fechados e dependem dos pais durante os primeiros meses de vida. Os machos também participam da proteção e alimentação da prole.

Na natureza, os indivíduos costumam viver entre 6 e 10 anos, podendo alcançar períodos maiores em cativeiro.

Por que ele aparece perto de cidades

Nos últimos anos, registros de cachorro-do-mato em condomínios, chácaras, áreas periurbanas e até bairros residenciais tornaram-se mais frequentes em várias regiões do Brasil.

Especialistas associam esse fenômeno à expansão urbana, fragmentação de habitats naturais e disponibilidade de alimento próximo às cidades. Restos de comida, frutas cultivadas e pequenos animais atraem a espécie para áreas ocupadas por humanos.

Mesmo quando parece dócil, trata-se de um animal silvestre e não deve ser alimentado ou capturado.

As maiores ameaças à espécie

Embora atualmente seja classificado como espécie de menor preocupação para conservação, o cachorro-do-mato enfrenta diversas ameaças em diferentes regiões da América do Sul.

Atropelamentos em rodovias estão entre as principais causas de mortalidade. Além disso, a perda de habitat, doenças transmitidas por cães domésticos e conflitos com atividades humanas também afetam populações locais.

Principais ameaças identificadas

  • Atropelamentos em rodovias.
  • Desmatamento.
  • Fragmentação de habitats.
  • Doenças transmitidas por cães domésticos.
  • Perseguição por produtores rurais.
  • Expansão urbana.

Um dos canídeos mais bem-sucedidos da América do Sul

Pesquisadores consideram o cachorro-do-mato um dos mamíferos carnívoros mais adaptáveis do continente sul-americano. Sua capacidade de explorar diferentes habitats, utilizar fontes variadas de alimento e conviver em paisagens modificadas pelo ser humano explica sua ampla distribuição geográfica.

Mesmo sendo frequentemente visto próximo a áreas ocupadas por pessoas, o animal continua desempenhando funções ecológicas importantes para diversos ecossistemas brasileiros.

Redação

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