Do Cerrado à Amazônia: o animal brasileiro que conquista territórios onde muitos predadores desaparecem
Apesar da aparência semelhante à de cães domésticos e raposas, o cachorro-do-mato pertence a uma espécie própria que evoluiu para ocupar diferentes ecossistemas sul-americanos

Presente em praticamente todos os biomas brasileiros, o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) é um dos mamíferos silvestres mais adaptáveis da América do Sul. Apesar de ser frequentemente confundido com cães domésticos, raposas ou até lobos-guará, trata-se de uma espécie própria que desempenha papel importante no equilíbrio ecológico de florestas, cerrados, campos e áreas rurais.
O que é o cachorro-do-mato
O cachorro-do-mato pertence à família Canidae, a mesma dos cães, lobos e raposas. Seu nome científico é Cerdocyon thous e a espécie ocorre em grande parte da América do Sul, incluindo Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela e Guianas.
No Brasil, também é conhecido regionalmente como graxaim-do-mato, zorro, raposa-do-mato ou simplesmente graxaim. A espécie possui ampla distribuição geográfica e está presente em praticamente todos os biomas nacionais.
Ficha da espécie
| Nome científico | Cerdocyon thous |
| Família | Canidae |
| Peso médio | 6 a 8 kg |
| Comprimento corporal | 60 a 70 cm |
| Comprimento da cauda | Até 30 cm |
| Hábitos | Noturnos e crepusculares |
| Estado de conservação | Pouco Preocupante (LC) |
Onde o animal vive
O cachorro-do-mato está entre os canídeos com maior distribuição geográfica da América do Sul. No Brasil, sua presença foi registrada na Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampas.
A espécie demonstra elevada capacidade de adaptação e pode ocupar áreas de vegetação nativa, zonas agrícolas, regiões de pastagem e ambientes próximos a cidades. No entanto, estudos indicam que sua tolerância diminui em áreas altamente urbanizadas.
Biomas brasileiros onde ocorre
- Amazônia
- Cerrado
- Caatinga
- Mata Atlântica
- Pantanal
- Pampas
Alimentação extremamente variada
Ao contrário do que o nome popular sugere, o cachorro-do-mato não vive apenas da caça. Trata-se de um animal onívoro, capaz de consumir dezenas de tipos diferentes de alimentos conforme a disponibilidade do ambiente.
Sua dieta inclui frutas, insetos, pequenos mamíferos, aves, anfíbios, lagartos, ovos, caranguejos, crustáceos e até carcaças de animais mortos. Essa flexibilidade alimentar ajuda a explicar sua ampla distribuição geográfica.
Pesquisas realizadas em diferentes regiões do Brasil mostram que frutos podem representar parcela significativa da alimentação em determinadas épocas do ano, transformando o animal em importante dispersor de sementes.
Caçador e jardineiro ao mesmo tempo
O cachorro-do-mato exerce dupla função ecológica. Como predador, ajuda a controlar populações de pequenos vertebrados e insetos. Como consumidor de frutos, espalha sementes por longas distâncias através das fezes, contribuindo para a regeneração da vegetação.
Esse papel ecológico é considerado importante principalmente em áreas de Cerrado e Mata Atlântica, onde diversas espécies vegetais dependem da dispersão realizada por animais silvestres.
Principais alimentos registrados
- Frutas silvestres.
- Insetos.
- Pequenos roedores.
- Aves.
- Répteis.
- Anfíbios.
- Ovos.
- Caranguejos e crustáceos.
- Animais encontrados mortos.
Reprodução e vida familiar
Estudos indicam que a espécie forma casais monogâmicos. A gestação dura entre 52 e 59 dias, resultando normalmente em ninhadas de três a seis filhotes.
Os filhotes nascem com os olhos fechados e dependem dos pais durante os primeiros meses de vida. Os machos também participam da proteção e alimentação da prole.
Na natureza, os indivíduos costumam viver entre 6 e 10 anos, podendo alcançar períodos maiores em cativeiro.
Por que ele aparece perto de cidades
Nos últimos anos, registros de cachorro-do-mato em condomínios, chácaras, áreas periurbanas e até bairros residenciais tornaram-se mais frequentes em várias regiões do Brasil.
Especialistas associam esse fenômeno à expansão urbana, fragmentação de habitats naturais e disponibilidade de alimento próximo às cidades. Restos de comida, frutas cultivadas e pequenos animais atraem a espécie para áreas ocupadas por humanos.
Mesmo quando parece dócil, trata-se de um animal silvestre e não deve ser alimentado ou capturado.
As maiores ameaças à espécie
Embora atualmente seja classificado como espécie de menor preocupação para conservação, o cachorro-do-mato enfrenta diversas ameaças em diferentes regiões da América do Sul.
Atropelamentos em rodovias estão entre as principais causas de mortalidade. Além disso, a perda de habitat, doenças transmitidas por cães domésticos e conflitos com atividades humanas também afetam populações locais.
Principais ameaças identificadas
- Atropelamentos em rodovias.
- Desmatamento.
- Fragmentação de habitats.
- Doenças transmitidas por cães domésticos.
- Perseguição por produtores rurais.
- Expansão urbana.
Um dos canídeos mais bem-sucedidos da América do Sul
Pesquisadores consideram o cachorro-do-mato um dos mamíferos carnívoros mais adaptáveis do continente sul-americano. Sua capacidade de explorar diferentes habitats, utilizar fontes variadas de alimento e conviver em paisagens modificadas pelo ser humano explica sua ampla distribuição geográfica.
Mesmo sendo frequentemente visto próximo a áreas ocupadas por pessoas, o animal continua desempenhando funções ecológicas importantes para diversos ecossistemas brasileiros.

