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Cozinheira some após cobrar rescisão e patroa é presa suspeita de assassinato em Ubatuba

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A Polícia Civil de São Paulo investiga o desaparecimento da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria, de 60 anos, como possível homicídio. A principal suspeita é a patroa dela, dona de uma pousada em Ubatuba, que foi presa temporariamente após a polícia apontar motivação financeira ligada ao pagamento da rescisão trabalhista.

O desaparecimento de Berenice Ramos de Aguiar Faria, de 60 anos, ganhou um novo desdobramento após a Polícia Civil de São Paulo passar a tratar o caso como possível homicídio.

Berenice trabalhava como cozinheira em uma pousada no bairro Ubatumirim, em Ubatuba, no litoral norte paulista. Ela desapareceu no dia 30 de junho, depois de pegar uma carona com a patroa, Eliane Alves dos Santos.

Segundo a investigação, Eliane é considerada a principal suspeita. A hipótese apurada é que a cozinheira tenha sido morta para evitar o pagamento de valores relacionados à rescisão do contrato de trabalho.

Desaparecimento começou após demissão

De acordo com relatos de familiares à polícia, Berenice havia sido dispensada da pousada no dia 29 de junho, um dia antes de desaparecer.

A demissão teria ocorrido por causa da baixa temporada. Após ser dispensada, a cozinheira aguardava o pagamento dos valores trabalhistas para voltar a Igaratá, no Vale do Paraíba, onde morava.

No dia seguinte, ela aceitou uma carona da dona da pousada até o trevo de acesso à Rodovia Oswaldo Cruz. Depois disso, não foi mais vista.

Família estranhou falta de contato

Filhos de Berenice relataram que a mãe tinha o hábito de manter contato com a família e avisar sobre mudanças de planos.

Por isso, o silêncio repentino causou preocupação. Segundo a família, ela não teria motivo para sumir voluntariamente sem comunicar os filhos.

O celular da cozinheira também passou a ser peça importante na investigação. A última localização conhecida do aparelho foi registrada ainda em Ubatuba, o que reforçou as suspeitas de que ela não deixou a cidade.

Discussão antes do desaparecimento

Durante as apurações, familiares informaram à polícia que descobriram a existência de uma discussão entre Berenice e a patroa antes do desaparecimento.

Segundo relato de um dos filhos, Eliane teria afirmado que pagou R$ 2,6 mil em dinheiro à cozinheira e que depois a deixou no trevo da rodovia.

A suspeita também teria dito que Berenice havia conseguido outro emprego na região da Praia das Toninhas. A versão foi contestada pela família, que afirma que a cozinheira pretendia retornar para Igaratá após receber os valores devidos.

Polícia vê motivação financeira

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que a motivação do crime esteja ligada ao pagamento da rescisão trabalhista.

Segundo os investigadores, a suspeita teria decidido matar a cozinheira para não quitar valores devidos após a demissão.

A conclusão ainda depende do avanço do inquérito, de laudos periciais e da localização do corpo ou de novas provas que ajudem a esclarecer a dinâmica do crime.

Operação Último Rastro prendeu a suspeita

A prisão temporária de Eliane foi cumprida na sexta-feira (10), durante a Operação Último Rastro.

A ação foi conduzida pela Polícia Civil e mobilizou 14 policiais civis e cinco viaturas para cumprir mandado de prisão temporária e ordens de busca e apreensão.

A suspeita permanece à disposição da Justiça enquanto os investigadores tentam reconstruir os últimos passos de Berenice.

Veículos, celulares e armas foram apreendidos

Durante a operação, os policiais apreenderam dois veículos, três armas de fogo, aparelhos celulares, um passaporte, dinheiro e outros materiais.

Os itens serão analisados pela perícia. Os veículos podem passar por exames em busca de vestígios biológicos, fibras, impressões digitais, objetos pessoais ou sinais de limpeza.

Os celulares também podem ajudar a reconstruir horários, deslocamentos, mensagens, chamadas e possíveis contatos feitos antes e depois do desaparecimento.

Homem também passou a ser investigado

Além da patroa, um homem passou a integrar formalmente a investigação.

Segundo o boletim de ocorrência citado por veículos locais, durante o cumprimento dos mandados, um aparelho celular teria sido descartado em uma área de mata.

O telefone não foi localizado, mas o episódio passou a ser apurado como possível tentativa de ocultação de provas.

Corpo ainda não foi encontrado

Apesar da prisão da principal suspeita, o corpo de Berenice Ramos de Aguiar Faria ainda não foi localizado.

As buscas seguem concentradas em áreas de mata de Ubatuba e em pontos relacionados aos últimos deslocamentos conhecidos da cozinheira.

A localização do corpo é considerada uma etapa importante para confirmar a causa da morte, identificar eventuais sinais de violência e fortalecer a investigação.

Inquérito é conduzido pela DIG de São Sebastião

O caso é investigado pela Delegacia de Investigações Gerais de São Sebastião, responsável por apurar crimes de maior complexidade na região.

A polícia deve reunir depoimentos, imagens de câmeras de segurança, dados de localização, laudos periciais e informações extraídas dos materiais apreendidos.

O objetivo é esclarecer a dinâmica completa do desaparecimento e verificar se outras pessoas participaram do crime ou ajudaram a ocultar provas.

Prisão temporária não é condenação

A prisão temporária foi autorizada pela Justiça para permitir o avanço das investigações.

Esse tipo de prisão não representa condenação definitiva. A suspeita ainda poderá apresentar defesa, e a responsabilidade criminal só será definida após o andamento do processo.

Até uma decisão judicial, o caso deve ser tratado como investigação em andamento, com Eliane na condição de suspeita.

Família cobra respostas

Para os familiares, o desaparecimento de Berenice é incompatível com a rotina dela e com os planos que havia comunicado aos filhos.

A cozinheira pretendia voltar para casa depois de receber os valores da demissão. A falta de contato, a última localização do celular e a versão apresentada pela patroa aumentaram as dúvidas da família.

Agora, os parentes aguardam a conclusão das buscas e esperam que a investigação esclareça o que aconteceu após a carona até o trevo da rodovia.

Caso expõe vulnerabilidade de trabalhadoras

O caso também chama atenção para a vulnerabilidade de trabalhadores que dependem de pagamento de rescisão, transporte e acordos diretos com empregadores.

Berenice estava em uma situação de encerramento de vínculo de trabalho, aguardando valores para retornar à cidade onde vivia.

A investigação ainda precisa confirmar a dinâmica completa, mas a hipótese policial de motivação financeira coloca a relação trabalhista no centro do caso.

Próximos passos da investigação

A Polícia Civil deve continuar ouvindo testemunhas, analisando materiais apreendidos e realizando buscas em áreas onde Berenice pode ter passado ou sido levada.

Os laudos dos veículos, celulares e demais objetos recolhidos podem ser decisivos para confirmar ou descartar versões apresentadas à polícia.

O inquérito também deve apontar se a suspeita agiu sozinha ou se houve participação de outras pessoas no desaparecimento e possível homicídio da cozinheira.

Redação

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