Investigação aponta golpe de R$ 263 mil contra o Mercado Livre comandado por grupo ligado a líderes religiosos
Operação da Polícia Civil de São Paulo apura esquema de vendas fictícias, estornos fraudulentos e movimentação financeira que causou prejuízo superior a R$ 263 mil. Casal de pastores é apontado como responsável pela organização das operações.
Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo revelou um esquema de fraudes eletrônicas que teria causado prejuízo superior a R$ 263 mil ao Mercado Livre. A apuração resultou na deflagração da Operação Chargeback, realizada em 9 de junho de 2026, com mandados de prisão e busca em diferentes cidades da Grande São Paulo.
De acordo com os investigadores da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber), o grupo utilizava anúncios falsos e transações simuladas dentro da própria plataforma para gerar pagamentos aparentemente legítimos. Posteriormente, as compras eram contestadas junto às operadoras dos cartões de crédito, provocando estornos enquanto os recursos já haviam sido transferidos para contas controladas pelos envolvidos.
Como começou a investigação
Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, a investigação teve origem após a identificação de movimentações consideradas atípicas dentro da plataforma de comércio eletrônico. O próprio Mercado Livre comunicou indícios de fraude às autoridades, permitindo o início das apurações especializadas.
A análise dos registros financeiros, dos acessos às contas e das transações realizadas levou os investigadores até uma estrutura organizada que operava utilizando contas de compradores e vendedores ligados ao mesmo grupo criminoso.
Prejuízo identificado: R$ 263 mil
Data da operação: 9 de junho de 2026
Mandados de prisão expedidos: 8
Prisões realizadas inicialmente: 5
Mandados de busca e apreensão: 15
Crimes investigados: estelionato e associação criminosa
Como funcionava o golpe
As investigações apontam que os suspeitos anunciavam produtos que nunca existiram ou criavam links de pagamento dentro da plataforma. Esses anúncios eram enviados para comparsas previamente recrutados pelo grupo.
Os comparsas realizavam compras utilizando cartões de crédito legítimos. Como o sistema reconhecia a operação como válida, os recursos eram liberados ao suposto vendedor após o processamento da transação.
Após a liberação do dinheiro, os valores eram rapidamente transferidos para contas bancárias ligadas aos investigados. Em seguida, o comprador envolvido no esquema solicitava o cancelamento da compra junto à administradora do cartão.
Com o chargeback aprovado, o valor deixava de ser repassado à plataforma, enquanto o dinheiro já havia sido retirado ou redistribuído pelo grupo criminoso. O prejuízo acabava sendo absorvido pelo sistema financeiro da operação.
O que é chargeback
Chargeback é o mecanismo utilizado por administradoras de cartões para cancelar uma cobrança quando o titular contesta determinada compra.
A ferramenta foi criada para proteger consumidores em situações como clonagem de cartão, uso indevido de dados bancários, cobranças duplicadas ou transações não reconhecidas.
Segundo especialistas em segurança digital, fraudadores frequentemente tentam explorar esse sistema utilizando compras simuladas para obter estornos indevidos após receberem os recursos originalmente liberados pela plataforma.
1. Criação de anúncio falso
2. Compra realizada por comparsa
3. Liberação do pagamento
4. Transferência imediata dos recursos
5. Contestação da compra
6. Aprovação do estorno
7. Prejuízo absorvido pela plataforma
Quem são os investigados
A Polícia Civil informou que um casal de pastores aparece como principal organizador do esquema investigado. Os nomes não foram divulgados oficialmente pelas autoridades.
Segundo os investigadores, os dois estariam atualmente na Espanha. Outro suspeito identificado durante as apurações estaria nos Estados Unidos.
A análise da movimentação financeira foi um dos fatores que levou os policiais a associar diversas operações ao mesmo núcleo organizador.
Onde ocorreram as ações policiais
A Justiça autorizou o cumprimento de mandados em diferentes localidades do estado de São Paulo.
Os alvos estavam localizados na capital paulista, em Guarulhos e em São Caetano do Sul, municípios da Região Metropolitana de São Paulo apontados pela investigação como endereços ligados aos suspeitos.
| Cidade | Medidas Judiciais |
|---|---|
| São Paulo (Capital) | Busca e apreensão |
| Guarulhos | Busca e apreensão |
| São Caetano do Sul | Busca e apreensão |
Cronologia da investigação
Dezembro de 2024: segundo a polícia, ocorreram as fraudes que deram origem ao inquérito.
2025: investigadores analisaram movimentações financeiras, registros eletrônicos e conexões entre compradores e vendedores envolvidos nas operações.
9 de junho de 2026: foi deflagrada a Operação Chargeback, com cumprimento de mandados de prisão e busca.
Posicionamento do Mercado Livre
Em nota, o Mercado Livre informou que a investigação teve origem em denúncia realizada pela própria empresa após a identificação de indícios de atividade fraudulenta.
A companhia afirmou que nenhum comprador ou vendedor legítimo foi prejudicado e que os prejuízos financeiros identificados foram absorvidos pela própria plataforma. Também declarou que segue colaborando com as autoridades responsáveis pelo caso.
A empresa destacou ainda que mantém equipes especializadas em prevenção de fraudes e utiliza ferramentas de inteligência artificial para monitorar operações consideradas suspeitas.
Operação: Chargeback
Data: 9 de junho de 2026
Prejuízo identificado: R$ 263 mil
Investigação conduzida pelo Deic e DCCiber
Casal de pastores apontado como líder do esquema
Suspeitos localizados na Espanha e nos Estados Unidos
Crimes investigados: estelionato e associação criminosa

