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PF cumpre 49 mandados na Operação Make Up para investigar financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Bolsonaro

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A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira 49 mandados de busca e apreensão para apurar o uso de emendas parlamentares no financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro que teve mais de 90% do orçamento bancado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Por Redação Ponto de Vista AABR — Atualizado em 10 de setembro de 2026

Batizada de “Make Up”, a operação foi deflagrada nesta quinta-feira, 10 de setembro, pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União, com mandados cumpridos em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. A ação não tem mandados de prisão, apenas de busca e apreensão, e foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, relator do processo que teve origem em um inquérito inicialmente aberto em São Paulo e depois transferido para o STF.

Entre os alvos das buscas estão o deputado federal Mario Frias, do PL de São Paulo, roteirista do longa-metragem, e a empresária Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. Também foram alvo de mandados o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura, duas entidades presididas por Karina Gama, além de outras 20 pessoas ligadas ao caso, incluindo ex-assessores parlamentares de Frias.

49
Mandados cumpridosTodos de busca e apreensão, sem nenhum mandado de prisão expedido nesta fase da operação.
R$ 2 milhões
Emendas sob suspeitaValor destinado por Mario Frias, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama.
90%+
Orçamento via VorcaroParcela do custo total do filme “Dark Horse” que teria sido banca­da pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Duas investigações distintas, mas conectadas pelo mesmo filme

É importante entender que a operação desta quinta-feira apura uma frente específica do caso: o suposto direcionamento irregular de emendas parlamentares de Mario Frias para contratos com empresas ligadas a doadores de campanha do próprio deputado, ex-assessores parlamentares e ao advogado de Karina Gama, com suspeita de que os recursos tenham sido repassados a subcontratadas sem comprovação efetiva da prestação de serviços. Segundo a Polícia Federal, esse esquema teria permanecido em funcionamento até julho deste ano.

Já o financiamento do restante do filme, mais de 90% do orçamento total, é investigado em uma frente separada dentro do STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, que apura os repasses feitos por Daniel Vorcaro, dono do já liquidado Banco Master, a pedido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro, esse financiamento teria continuado sendo tratado entre as partes mesmo depois da prisão de Vorcaro, ocorrida em novembro de 2025 por fraudes bilionárias.

Como o dinheiro teria circulado, segundo a investigação

De acordo com apurações que embasam a operação, e reportagens anteriores do site Intercept Brasil, os recursos captados por Flávio Bolsonaro junto a Vorcaro para viabilizar a produção cinematográfica eram transferidos para o Havengate Development Fund, um fundo de investimentos sediado nos Estados Unidos e gerido pelo advogado Paulo Calixto, próximo ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República em agosto, um colaborador identificado como “Mineiro” afirmou que sua principal função no grupo ligado a Vorcaro era operacionalizar a movimentação de dinheiro em espécie, entregue fisicamente em malas.

Crimes sob investigação e o pano de fundo institucional do caso

Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder por peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a fraudes em contratações públicas. Em agosto, Dino já havia autorizado o compartilhamento, com a Polícia Federal, de dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo na chamada Operação Wi-Fi, que também teve Karina Gama como alvo, material que passou a ser usado para ampliar as investigações sobre o possível desvio de recursos públicos envolvendo a produtora Go Up.

A operação desta quinta-feira acontece em meio a uma crise mais ampla dentro do Supremo Tribunal Federal, marcada por decisões conflitantes entre os ministros Dino e André Mendonça sobre o comando da própria Polícia Federal nos últimos dias. Segundo apuração da coluna de Miriam Leitão, no jornal O Globo, a ação de hoje seria apenas a primeira de uma série de operações já preparadas pela PF dentro da frente investigativa que conecta o caso do Banco Master ao financiamento do filme “Dark Horse”, com outras medidas que teriam ficado suspensas justamente durante o período de maior tensão entre os ministros e a corporação policial.

Fontes consultadas

Cobertura da Operação Make Up pela Polícia Federal, com informações da Revista Oeste e da A Notícia do Vale, com dados complementares do Brasil 247. Consulta em 10 de setembro de 2026.

Redação

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