EUA suspendem ataques ao Irã após 13 noites de bombardeio; negociação gira em torno do Estreito de Ormuz, e petróleo cai 6,7%.
Depois de 13 noites seguidas de bombardeios, os Estados Unidos suspenderam os ataques aéreos contra o Irã, que também interrompeu sua ofensiva, enquanto as duas partes buscam retomar um acordo de cessar-fogo em meio a divergências sobre o controle do Estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos suspenderam, na sexta-feira (24), os ataques aéreos contra o Irã depois de 13 noites consecutivas de bombardeios intensificados. O Irã, que vinha respondendo a cada ataque americano com ofensivas contra países vizinhos que sediam bases dos Estados Unidos, também interrompeu suas ações, e nenhum dos dois lados registrou novos ataques neste fim de semana.
A pausa ocorre às vésperas de o conflito completar cinco meses nesta terça-feira (28), contados desde os ataques israelo-americanos de 28 de fevereiro, que mataram o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e outros comandantes militares iranianos. Um acordo de cessar-fogo provisório havia sido firmado em junho, mas foi praticamente esvaziado depois que o Irã passou a atirar contra petroleiros e navios cargueiros que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz, corredor por onde passava cerca de um quinto do petróleo transportado por via marítima no mundo antes da guerra.
Estreito de Ormuz é o centro da disputa
Segundo uma fonte envolvida nas negociações ouvida pela agência AP, tanto Washington quanto Teerã têm interesse em retomar o cessar-fogo provisório, e o principal ponto em discussão é a forma como o Irã administra a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz, com a possibilidade de reduzir as restrições atualmente impostas aos navios. O Irã havia bloqueado parcialmente a passagem no início da guerra, o que provocou forte alta nos preços internacionais do petróleo ao longo dos últimos cinco meses.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a suspensão dos ataques ocorreu a pedido do próprio governo iraniano, e alertou que os bombardeios podem ser retomados caso um novo entendimento não seja alcançado. Já o Ministério das Relações Exteriores do Irã negou publicamente que existam negociações formais em andamento com os americanos neste momento, criando um cenário de mensagens contraditórias entre os dois lados sobre o real estágio das conversas.
Ceticismo em Teerã sobre a real intenção da pausa
Uma fonte iraniana de alto escalão ouvida pela Reuters afirmou que há mais ceticismo do que otimismo em relação à pausa anunciada por Trump, e que a visão predominante dentro do governo iraniano é a de que a interrupção dos ataques é tática, e não uma mudança genuína na posição americana. Segundo essa fonte, o Irã acumulou experiências consideradas amargas com o que classifica como decepções por parte dos Estados Unidos ao longo do conflito.
Apesar da pausa, a Arábia Saudita informou ter interceptado neste fim de semana diversos drones voltados a instalações petrolíferas, lançados por milícias apoiadas pelo Irã com base no Iraque, o que reforça a fragilidade do momento. Internamente, auxiliares próximos a Trump, entre eles o vice-presidente JD Vance e o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, já haviam manifestado preocupação com uma possível escalada do conflito durante uma reunião na Casa Branca na sexta-feira, pouco antes do anúncio da pausa.
Encontro entre Trump e Netanyahu deve pautar próximos passos
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que ao lado dos Estados Unidos deu início à guerra contra o Irã em fevereiro, deve se reunir com Trump em Washington nesta terça-feira (28) para discutir os rumos do conflito. Foi o primeiro encontro programado entre os dois desde fevereiro, quando se viram na capital americana semanas antes do início dos ataques que mataram Khamenei.
Por que uma pausa no combate ainda preocupa o mundo
Mesmo com o alívio imediato refletido na queda do preço do petróleo, especialistas em geopolítica costumam tratar pausas unilaterais como essa com cautela, já que interrupções sem um acordo formal assinado tendem a ser reversíveis a qualquer momento, como o próprio Trump deixou em aberto ao afirmar que os ataques podem recomeçar. O episódio ilustra como conflitos concentrados em rotas marítimas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, têm efeito quase imediato sobre a economia global, uma vez que qualquer sinal de escalada ou trégua nessas regiões tende a se refletir rapidamente nos preços de combustíveis em praticamente todos os países, inclusive naqueles que não têm qualquer participação direta no conflito.
Fontes consultadas
NPR — EUA pausam ataques ao Irã pelo segundo dia seguido; e CNN — cobertura ao vivo da guerra entre EUA e Irã. Consulta em 27 de julho de 2026.

