Jorge Jesus revela acordo encaminhado com a CBF e crava o melhor centroavante do Brasil
Novo técnico de Portugal conta que chegou a discutir um plano para assumir o Brasil e afirma que Pedro, do Flamengo, merecia ter disputado a Copa do Mundo de 2026.
Jorge Jesus voltou a uma história que esteve perto de alterar o comando da Seleção Brasileira. Em entrevista ao Canal 11, de Portugal, o treinador relatou que manteve conversas avançadas com a CBF antes da contratação de Carlo Ancelotti. Ao analisar as escolhas feitas para a Copa do Mundo de 2026, ele também apontou quem levaria para ocupar a área: Pedro, camisa 9 do Flamengo.
A declaração ganhou repercussão porque une duas discussões que mobilizaram o futebol brasileiro no último ciclo: quem deveria ter dirigido a Seleção e qual atacante oferecia o melhor repertório para atuar como centroavante. Jesus concordou com grande parte da convocação, mas disse que faria uma ou outra mudança. A principal delas seria a presença de Pedro, a quem definiu como o melhor centroavante brasileiro.
O que Jorge Jesus disse: “Acho que o melhor centroavante brasileiro é o Pedro”. Trata-se de uma avaliação técnica do treinador, não de uma classificação oficial.
O acordo com a CBF que não virou contrato
O interesse em Jorge Jesus não começou às vésperas da Copa. Segundo o próprio treinador, pessoas ligadas à CBF fizeram uma primeira sondagem ainda em 2023. Ele preferiu continuar no Al-Hilal porque tinha compromissos esportivos em andamento na Arábia Saudita.
As conversas ganharam outra dimensão entre o fim de 2024 e o começo de 2025. Após a saída de Dorival Júnior, em março de 2025, o então presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, entrou em contato diretamente com o português. Uma reunião em Madri discutiu uma transição: Jesus terminaria seus compromissos com o clube saudita e assumiria a Seleção no segundo semestre.
Na versão apresentada pelo técnico, o entendimento estava encaminhado. A troca no comando da CBF, porém, modificou o cenário político da entidade, e a negociação não avançou até a assinatura. Carlo Ancelotti acabou contratado. Jesus diz não guardar ressentimento e reconhece que o italiano tomou decisões com as quais concordou em grande parte.
Por que Pedro é o centroavante escolhido por Jesus
A preferência não nasceu apenas de observações à distância. Jorge Jesus comandou Pedro por cerca de seis meses no Flamengo, entre janeiro e julho de 2020. Embora Gabigol fosse a principal referência ofensiva daquele time, o recém-chegado mostrou eficiência imediata: nos dez primeiros jogos sob o português, marcou quatro gols e deu duas assistências em 362 minutos.
Naquele período, a comissão técnica exigiu que Pedro não ficasse limitado ao papel de finalizador. O atacante passou a sair da área, participar das combinações e abrir espaços para a infiltração dos meias. Essa memória ajuda a explicar por que Jesus enxerga nele algo além do camisa 9 tradicional.
O repertório que pesa a favor do atacante
Pedro reúne características difíceis de encontrar no mesmo jogador. Tem presença física para proteger a bola, coordenação para concluir jogadas de primeira, controle em espaços apertados e capacidade de finalizar com os dois pés. No jogo aéreo, oferece uma referência para cruzamentos; por baixo, consegue tabelar e devolver a bola de frente para quem chega de trás.
Os números recentes dão sustentação à discussão, ainda que não encerrem a comparação. Na página de estatísticas da ESPN consultada em 21 de julho, Pedro aparecia com 10 gols e quatro assistências em 17 participações no Campeonato Brasileiro de 2026. É uma produção relevante para um atacante que também influencia jogadas nas quais não dá o último passe.
“Melhor” depende do que a equipe precisa
A frase de Jorge Jesus é forte, mas não significa que exista um vencedor indiscutível. A Seleção pode procurar perfis diferentes conforme o adversário. Um centroavante de área ajuda contra defesas baixas; outro atacante pode ser escolhido para pressionar a saída de bola, atacar profundidade ou trocar de posição com os pontas.
Também existe um componente pessoal na avaliação: Jesus conhece o trabalho diário de Pedro e participou de seu desenvolvimento no Flamengo. Isso oferece informação técnica de primeira mão, mas também cria uma proximidade que precisa ser considerada quando a opinião é comparada às de outros treinadores.
O valor da declaração está justamente em recolocar no centro do debate a função do camisa 9. Não basta perguntar quem marcou mais gols. É preciso observar onde o jogador recebe a bola, como reage sob pressão, quais movimentos cria para os companheiros e se suas virtudes combinam com o modelo de jogo da equipe.
Uma escolha que revela a ideia de futebol do treinador
Ao citar Pedro, Jorge Jesus também descreve indiretamente o tipo de atacante em que confia: tecnicamente seguro, forte dentro da área e capaz de participar da construção. Foi com essa exigência que trabalhou no Flamengo, onde conquistou a Libertadores e o Campeonato Brasileiro de 2019 antes de deixar o clube no ano seguinte.
Agora à frente de Portugal, o português inicia seu primeiro trabalho em uma seleção nacional. O contrato vai até 2030, ano em que Portugal dividirá com Espanha e Marrocos a organização da Copa do Mundo. A experiência de quase ter assumido o Brasil ficou para trás, mas a lembrança revela que o plano chegou muito mais perto de se concretizar do que as especulações da época permitiam enxergar.
Para Pedro, o elogio funciona como reconhecimento de um treinador que conhece seu jogo. Para a Seleção Brasileira, a fala mantém aberta uma pergunta que atravessa gerações: qual deve ser o perfil do próximo dono da camisa 9?
Fontes consultadas
Entrevista de Jorge Jesus repercutida pelo Bolavip Brasil; cronologia das conversas com a CBF publicada pelo Bahia Notícias; anúncio de Jorge Jesus pela Federação Portuguesa de Futebol; histórico do trabalho com Pedro publicado pelo ge; estatísticas do atacante na ESPN. Consulta realizada em 21 de julho de 2026.

