Quem é Márcio Poncio, pastor e empresário preso em operação da PF no Rio
Pastor, empresário e pai de nomes conhecidos nas redes sociais, Márcio Poncio foi alvo de prisão preventiva na quinta fase da Operação Unha e Carne, que apura indícios de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.
O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso nesta quinta-feira, 2 de julho, durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro.
A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e cumpriu três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
Além da prisão de Poncio, a ação teve como alvos nomes ligados ao cenário político e à contravenção no Rio de Janeiro, entre eles o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já estavam presos.
A nova etapa da investigação busca aprofundar a apuração sobre indícios de lavagem de dinheiro e possíveis ramificações do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro.
Quem é Márcio Poncio
Márcio Poncio é pastor, empresário e figura pública conhecida pela presença nas redes sociais.
Ele ganhou projeção nacional principalmente pela exposição da família Poncio, formada por nomes que atuam na música, na internet, na política e no meio empresarial.
Poncio é pai do cantor Saulo Poncio, ex-integrante do grupo UM44K, e da deputada estadual Sarah Poncio, do Rio de Janeiro.
Nas redes, ele costuma se apresentar como patriarca da família e também como liderança religiosa. Publicações sobre sua rotina, sua atuação pastoral e seus negócios ajudaram a ampliar sua visibilidade pública.
Atuação religiosa e empresarial
Márcio Poncio é associado à atuação como pastor e também à atividade empresarial no setor do tabaco.
Publicações anteriores sobre a família apontam que ele esteve ligado a negócios envolvendo cigarros, tema que gerou questionamentos públicos pela combinação entre atividade religiosa e atuação em um ramo comercial sensível.
Em entrevistas e manifestações nas redes sociais, Poncio já defendeu a legalidade de sua atividade empresarial e rebateu críticas relacionadas ao setor em que atua.
A defesa pública de sua trajetória empresarial passou a fazer parte da imagem construída por ele na internet, especialmente nos momentos em que o nome da família voltou ao debate público.
Família conhecida nas redes
A família Poncio ficou conhecida no ambiente digital pela exposição de rotinas familiares, relacionamentos, polêmicas públicas e atividades empresariais.
Saulo Poncio ganhou notoriedade como cantor e ex-vocalista do UM44K. Sarah Poncio construiu carreira como influenciadora digital e depois passou a atuar na política.
Márcio e Simone Poncio aparecem como os pais da família. Ambos são identificados publicamente como pastores e empresários.
O núcleo familiar também foi citado em reportagens anteriores por causa de disputas, separações, exposição de patrimônio, dívidas tributárias atribuídas a empresas ligadas ao grupo e presença intensa nas redes sociais.
Passagem pela política
Márcio Poncio tentou disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2022 pelo Rio de Janeiro.
Naquele ano, ele concorreu pelo PROS com o nome de urna Márcio Poncio, mas não foi eleito.
A entrada na política ocorreu em um período em que a família já tinha forte presença na internet e buscava ampliar sua atuação pública.
A filha dele, Sarah Poncio, também ingressou na política fluminense e passou a ocupar mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
O que a PF apura
A quinta fase da Operação Unha e Carne foi aberta após a análise de documentos apreendidos em fases anteriores da investigação.
Segundo a Polícia Federal, o material revelou indícios de contabilidade paralela voltada à lavagem de capitais, além de registros de supostos pagamentos indevidos e doações eleitorais irregulares.
A PF informou que a apuração busca identificar o fluxo financeiro, eventuais beneficiários, intermediários e operadores do esquema investigado.
A investigação ocorre no contexto da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou atuação da Polícia Federal em investigações sobre grupos criminosos violentos no Rio e suas conexões com agentes públicos.
Outros alvos da operação
Além de Márcio Poncio, a operação teve como alvos o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar.
Adilsinho e Bacellar já estavam presos, mas foram alvo de novas ordens judiciais no âmbito da investigação.
O ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, também foi alvo de busca e apreensão.
As medidas foram determinadas no âmbito de uma apuração que busca possíveis conexões entre contravenção, lavagem de dinheiro, agentes públicos e estruturas políticas no Rio de Janeiro.
Ligação com fases anteriores
A Operação Unha e Carne teve fases anteriores voltadas à investigação de suposto vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais contra o Comando Vermelho.
Segundo a apuração da Polícia Federal, o vazamento teria comprometido ações policiais e beneficiado investigados ligados à facção.
Com o avanço das investigações, a operação passou a alcançar também suspeitas envolvendo movimentação financeira, pagamentos indevidos, contabilidade paralela e relações entre crime organizado e agentes públicos.
A quinta fase amplia o foco sobre o possível fluxo de recursos e sobre a identificação de pessoas que poderiam ter atuado como beneficiárias, intermediárias ou operadoras do esquema.
Sequestro de bens e valores
O Supremo Tribunal Federal também determinou o sequestro de cerca de R$ 22 milhões em bens e valores ligados à organização criminosa investigada.
A medida tem como objetivo resguardar valores que, segundo a investigação, podem estar relacionados à movimentação financeira apurada.
O bloqueio patrimonial não representa condenação. Ele é uma medida cautelar adotada durante a apuração e pode ser discutido no andamento do processo.
Os investigados ainda podem apresentar defesa no curso das investigações e em eventual ação penal.
Investigação continua
A prisão de Márcio Poncio ocorre em uma etapa ainda investigativa, sem condenação informada.
A Polícia Federal informou que segue analisando documentos, registros financeiros e possíveis vínculos entre os investigados.
A apuração busca esclarecer a origem, o destino e a movimentação de recursos apontados como suspeitos.
Até o avanço do processo judicial, os alvos da operação devem ser tratados como investigados, e eventual responsabilização depende da conclusão das apurações e de decisão da Justiça.

