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Argentina zera carga tributária para exportar veículos; veja como isso afeta o Brasil

Governo argentino iniciou redução gradual dos direitos de exportação sobre veículos e outros produtos industriais; alíquota parte de 4,5% e deve chegar a zero em junho de 2027.

A Argentina iniciou um corte gradual no imposto cobrado sobre a exportação de veículos produzidos no país. A medida faz parte de uma redução mais ampla dos direitos de exportação aplicados a setores industriais.

A alíquota atual, de 4,5%, passará a ser reduzida mensalmente em 0,375 ponto percentual a partir de julho de 2026. O cronograma anunciado pelo governo argentino prevê eliminação total da cobrança em junho de 2027.

A decisão alcança o setor automotivo e também segmentos como petroquímico, químico, borracha, máquinas e outras atividades industriais incluídas na regulamentação geral.

No caso dos veículos, a mudança atinge diretamente as montadoras instaladas na Argentina que exportam parte da produção para outros mercados, incluindo o Brasil.

Como funciona a redução

O imposto não será eliminado de uma só vez. O cronograma anunciado prevê uma redução mensal até que a alíquota chegue a zero.

A cobrança parte de 4,5% e cai 0,375 ponto percentual por mês. Com esse ritmo, a eliminação completa ocorrerá em junho de 2027.

A medida foi apresentada pelo governo argentino como forma de reduzir custos de exportação e melhorar a competitividade de produtos industriais vendidos ao exterior.

O setor automotivo é um dos principais segmentos afetados porque a Argentina exporta veículos para países da região, especialmente dentro do mercado sul-americano.

Por que o setor automotivo é importante para a Argentina

As exportações de automóveis representaram pouco mais de 10% das vendas externas argentinas em 2025.

Segundo dados divulgados internacionalmente, o setor automotivo argentino exportou US$ 8,78 bilhões no ano passado, com queda de 2,5% em relação ao ano anterior.

A produção automotiva argentina tem forte presença em veículos comerciais leves e picapes, segmento no qual o país reúne fábricas de marcas globais.

Entre os modelos produzidos ou exportados a partir da Argentina estão picapes e utilitários como Toyota Hilux, Toyota SW4, Ford Ranger, Volkswagen Amarok e Fiat Titano.

Impacto no Brasil

O Brasil é um dos principais destinos dos veículos produzidos na Argentina, especialmente no segmento de picapes médias.

A redução do imposto argentino pode diminuir o custo de exportação dos veículos enviados ao mercado brasileiro. Isso não significa, porém, queda automática no preço final ao consumidor.

O valor cobrado nas concessionárias depende de outros fatores, como câmbio, custos logísticos, margem comercial, estratégia das montadoras, tributação brasileira e condições de concorrência no mercado interno.

Publicações especializadas do setor automotivo apontam que o efeito direto sobre os preços no Brasil tende a ser limitado, com eventual impacto maior sobre a competitividade das montadoras do que sobre descontos imediatos nas lojas.

Medida não altera impostos brasileiros

A decisão foi tomada pelo governo argentino e trata dos direitos de exportação cobrados na saída de veículos produzidos no país.

A mudança não elimina tributos brasileiros incidentes na cadeia de venda de veículos dentro do Brasil.

Também não muda, por si só, as regras de emplacamento, licenciamento, financiamento ou cobrança de impostos estaduais e federais no mercado brasileiro.

O efeito econômico ocorre antes da chegada do veículo ao Brasil, ao reduzir gradualmente a carga cobrada na exportação argentina.

Relação automotiva entre Brasil e Argentina

Brasil e Argentina mantêm um acordo automotivo bilateral dentro do Acordo de Complementação Econômica nº 14, conhecido como ACE-14.

Esse acordo estabelece regras para o comércio de veículos, autopeças e outros produtos do setor automotivo entre os dois países.

Em 2025, o governo brasileiro incorporou ao ordenamento nacional um protocolo adicional que atualizou regras do acordo automotivo, incluindo critérios de origem e condições de acesso a mercado para determinados veículos.

A integração entre as duas indústrias faz com que mudanças de custo na Argentina tenham impacto potencial sobre modelos vendidos no Brasil e sobre a estratégia regional das montadoras.

Concorrência com veículos chineses

A redução dos direitos de exportação ocorre em um momento de avanço dos veículos chineses em mercados latino-americanos.

No Brasil, marcas chinesas ampliaram presença nos últimos anos, principalmente em segmentos ligados a veículos eletrificados, SUVs e modelos com forte apelo tecnológico.

A indústria argentina busca reduzir custos para que seus veículos exportados não cheguem a outros países com desvantagem tributária em relação a concorrentes produzidos em mercados que não cobram imposto semelhante na exportação.

A medida também aparece como tentativa de preservar o papel da Argentina como fornecedora relevante de veículos para o Brasil.

Montadoras buscam previsibilidade

A associação que representa fabricantes de veículos na Argentina vinha defendendo a redução do imposto de exportação.

O setor argumenta que a cobrança encarecia produtos fabricados no país e prejudicava a competitividade das exportações.

Com o cronograma de redução, as montadoras passam a ter uma previsão de queda gradual do custo tributário até junho de 2027.

Essa previsibilidade pode ser considerada pelas empresas em decisões de produção, exportação e investimentos regionais.

Modelos vendidos no Brasil podem ser afetados

Entre os veículos argentinos presentes no mercado brasileiro, o segmento de picapes médias é o mais citado em levantamentos do setor.

Toyota Hilux, Toyota SW4, Ford Ranger, Volkswagen Amarok e Fiat Titano estão entre os modelos associados à produção ou exportação argentina.

Como esses veículos competem em faixas de preço elevadas, uma redução de custo na origem pode ser usada de diferentes formas pelas montadoras: recomposição de margem, campanhas comerciais, ajuste de preço ou reforço de competitividade.

A definição final depende da política comercial de cada fabricante e das condições do mercado brasileiro no período em que a redução tributária estiver em vigor.

Setor argentino enfrenta queda na produção

A medida também ocorre em um contexto de pressão sobre a indústria automotiva argentina.

Informações publicadas sobre o setor indicam queda recente na produção de veículos e dificuldades entre fabricantes de autopeças no país.

A abertura comercial, a concorrência externa e a valorização do peso argentino foram apontadas como fatores que aumentaram a pressão sobre empresas industriais voltadas ao mercado local.

Nesse cenário, a redução dos direitos de exportação busca melhorar a posição das empresas argentinas nas vendas externas.

Próximos meses

A redução começa em julho de 2026 e seguirá mês a mês até junho de 2027.

O impacto no mercado brasileiro será observado ao longo do período, conforme as montadoras definirem estratégias comerciais para os veículos importados da Argentina.

O corte do imposto argentino reduz uma cobrança na origem, mas não determina sozinho o preço final dos carros no Brasil.

A medida passa a integrar o conjunto de fatores que influenciam a disputa entre veículos argentinos, brasileiros, chineses e de outros mercados no setor automotivo nacional.

Redação

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