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Tragédia nas Maldivas: Autoridades Recuperam os Últimos Corpos dos Cinco Mergulhadores Italianos Mortos em Caverna Submarina

Na manhã desta quarta-feira, 20 de maio de 2026, as autoridades das Maldivas concluíram a operação de recuperação dos corpos dos cinco turistas italianos que morreram em um acidente de mergulho em cavernas submarinas no Atol Vaavu, ao sul da capital Malé. Os últimos dois corpos retirados foram identificados como os de Giorgia Sommacal e Muriel Oddenino, confirmando o desfecho fatal de uma tragédia que chocou a Itália e ganhou repercussão internacional ao longo de uma semana intensa de buscas, operações técnicas de resgate e angústia para as famílias das vítimas. O caso já é classificado pelas autoridades locais como o pior acidente de mergulho já registrado no arquipélago.

O acidente ocorreu na quinta-feira, 14 de maio, quando o grupo embarcou a bordo do navio Duke of York para uma excursão de mergulho em cavernas submarinas. O ponto de mergulho ficava a aproximadamente 50 metros de profundidade dentro de uma caverna na região do Atol Vaavu. Os cinco integrantes do grupo não retornaram à superfície. Eram eles: Monica Montefalcone, mergulhadora experiente e professora de biologia marinha; sua filha Giorgia Sommacal; o biólogo marinho Federico Gualtieri; a pesquisadora Muriel Oddenino — os três últimos ligados à Universidade de Gênova — e o instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, o mais experiente tecnicamente dentro d’água. Benedetti foi o primeiro a ter o corpo recuperado, ainda na sexta-feira, 15 de maio, um dia após o acidente.

Os corpos dos quatro restantes só foram localizados na segunda-feira, 18 de maio, quando mergulhadores especializados os encontraram juntos no chamado “terceiro setor” da caverna — uma região interna, distante da entrada, que impedia qualquer operação simples de recuperação. Na terça-feira, 19 de maio, os corpos de Monica Montefalcone e Federico Gualtieri foram retirados da caverna e trazidos à superfície. Na manhã de quarta-feira, os corpos de Giorgia Sommacal e Muriel Oddenino foram finalmente recuperados, encerrando a fase de buscas. Todos os corpos foram encaminhados a um necrotério na capital Malé, onde aguardam os trâmites para repatriação à Itália.

A Operação de Resgate e a Morte do Socorrista

A operação de recuperação dos corpos foi descrita pelo governo maldivo como extremamente complexa e perigosa. Participaram dos trabalhos mergulhadores especializados finlandeses, a Guarda Costeira das Maldivas, a polícia local e especialistas da fundação DAN Europe, organização internacional dedicada à segurança em mergulhos. O porta-voz do governo, Mohamed Hussain Shareef, explicou que os corpos foram encontrados a cerca de 30 metros de profundidade dentro da caverna. A estratégia adotada foi transportá-los primeiro até 7 metros de profundidade, etapa considerada crítica, antes de levá-los à superfície.

Durante os trabalhos de resgate, a tragédia ganhou mais uma vítima. Um integrante da equipe de busca maldiva morreu após sofrer doença descompressiva, condição causada por alterações bruscas de pressão durante o mergulho, que pode provocar bolhas de gás no sangue e nos tecidos, levando a danos graves e morte. Shareef reconheceu publicamente que essa morte demonstra a dificuldade da missão. Com esse óbito, o acidente no Atol Vaavu totaliza seis mortes.

Carlo Sommacal, marido de Monica Montefalcone e pai de Giorgia, soube pela televisão que os corpos da esposa e do amigo Federico Gualtieri haviam sido encontrados. Em entrevista à imprensa italiana, declarou: “Acabei de saber pela TV que encontraram Monica e Chicco. Não tenho forças para dizer nada agora. Não durmo há dias, estou tendo pesadelos.” Sobre como pretende guardar a memória de quem perdeu, resumiu: “Quero me lembrar deles sorrindo.”

Investigação Criminal e Próximos Passos

Paralelamente às operações de recuperação dos corpos, a Justiça italiana se movimentou rapidamente. O Ministério Público de Roma abriu uma investigação formal por homicídio culposo. Os promotores da Piazzale Clodio devem determinar a realização de autópsias em todos os corpos assim que eles retornarem ao território italiano. As investigações contarão com apoio das autoridades policiais italianas e incluirão o interrogatório de testemunhas e de cidadãos italianos que estavam a bordo do Duke of York durante a excursão. O homicídio culposo, no direito italiano, é aplicado a situações em que uma morte ocorre por negligência, imprudência ou imperícia, sem intenção, mas com responsabilidade por não ter tomado os cuidados necessários para evitar o desfecho fatal.

O acidente com os cinco italianos não é um episódio isolado no contexto recente das Maldivas. De acordo com a imprensa internacional, esse é o terceiro incidente grave envolvendo turistas estrangeiros no arquipélago em pouco mais de um mês. Em 11 de abril, um cidadão espanhol perdeu uma perna após ser atacado por um tubarão-tigre durante sua lua de mel. Poucos dias depois da morte dos italianos, um surfista espanhol morreu afogado no arquipélago. A sequência de incidentes coloca pressão sobre as autoridades locais quanto aos protocolos de segurança para atividades de risco, especialmente o mergulho técnico em grandes profundidades e em ambientes fechados como cavernas submarinas.

Redação

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